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Quanto tempo demora processo trabalhista: prazos reais

Os números oficiais mostram quanto tempo cada fase leva, o que costuma acelerar e como você acompanha tudo pelo celular.

25 de agosto de 20267 min de leituraAtualizado por Dr. Jorge Lopes Bahia
Quem acabou de ser demitido e não recebeu o que era devido quase sempre faz a mesma pergunta: quanto tempo demora processo trabalhista? Os dados divulgados pela Justiça do Trabalho apontam algo em torno de 197 dias entre a entrada da ação e a sentença na fase de conhecimento, em 2024, e prazos maiores quando o caso passa por recursos e pela cobrança do valor. Demora existe, mas ela não apaga o direito, e boa parte do caminho pode ser acompanhada por você mesmo.

Quanto tempo demora processo trabalhista, pelos números oficiais

Não há um prazo fixo. O que existe são médias. O tempo médio entre o ajuizamento (a entrada da ação) e a sentença na fase de conhecimento (aquela em que o juiz decide se você tem razão) foi de 197 dias até a primeira decisão em 2024, contra 215 dias em 2020, uma queda de 8,4%. Em 2023, a primeira audiência acontecia em média em 4 meses e 7 dias, a sentença em cerca de 7 meses e 25 dias, e o recebimento efetivo dos valores levava, em média, 4 anos, 1 mês e 7 dias. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aponta duração média de 1 a 3 anos, com casos que terminam em poucos meses e outros que passam disso.
FaseO que aconteceTempo médio apontado nos dados
Entrada da ação até a primeira audiênciaA ação é distribuída para uma Vara do Trabalho e a audiência é marcada na agenda da VaraCerca de 4 meses e 7 dias (dado de 2023)
Até a sentençaProvas, depoimentos, testemunhas, perícia quando necessária, e a decisão do juizCerca de 7 meses e 25 dias até a sentença (2023) e 197 dias em média até a sentença na fase de conhecimento (2024)
RecursosA parte que perdeu pede a revisão da decisão a um tribunalVaria; no Tribunal Superior do Trabalho o tempo médio caiu cerca de 27 dias em 2024
Cobrança do valor (execução)Depois de definido o valor, a Justiça busca o dinheiro da empresaMédia de 4 anos, 1 mês e 7 dias até o recebimento (2023)

Por que um processo demora mais do que o outro

O tempo depende muito mais do tipo de caso e do comportamento da empresa do que da sua pressa. Pedidos simples, como verbas rescisórias não pagas ou horas extras com prova de ponto, tendem a andar mais rápido. Casos com perícia, muitas testemunhas ou várias empresas envolvidas demoram mais.
  • Complexidade do pedido: um acerto de rescisão é mais direto que um caso com perícia de insalubridade ou de doença do trabalho
  • Número de empresas envolvidas: quando há terceirização ou grupo de empresas, todas precisam ser chamadas
  • Volume de provas: muitos documentos e testemunhas exigem mais audiências
  • Agenda da Vara do Trabalho: o volume de ações é alto e influencia a data da audiência
  • Recursos: a empresa pode pedir revisão da decisão, o que pode alongar o processo
  • Situação financeira da empresa: se ela fechou ou não tem bens, a fase de cobrança se alonga
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O acordo encurta o processo? Quando vale pensar nisso

Sim, o acordo é o que mais encurta o caminho. A conciliação é um princípio do processo do trabalho, tratada na Resolução 174/2016 do Conselho Superior da Justiça do Trabalho, e a Justiça do Trabalho tem o maior índice de acordos do país: cerca de 38% das ações são resolvidas assim. O acordo pode ser feito na primeira audiência, no meio das provas, depois da sentença ou já na fase de cobrança. Existe ainda a possibilidade de levar um acordo já combinado fora do processo para ser homologado (confirmado) pela Justiça, prevista nos arts. 855-B a 855-E da CLT.Acordo não é obrigação. Você decide se aceita. Vale comparar o valor oferecido com o que está sendo pedido, lembrando que o Código Civil, nos arts. 138 a 184, trata dos defeitos do negócio jurídico, ou seja, ninguém pode ser pressionado nem enganado para assinar. Aceitar rápido pode significar receber menos; recusar pode significar esperar mais. Essa conta é sua, e deve ser feita com informação, não com medo.
Os prazos são contínuos e contados em dias úteis, com exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento.Art. 775 da CLT
Guarde istoJunte desde já: carteira de trabalho, contrato, termo de rescisão, extrato do FGTS, holerites, controles de ponto, conversas de WhatsApp com chefia e nome e telefone de colegas que viram o que aconteceu. Prova organizada evita audiências extras, e audiência extra é tempo extra.

Como acompanhar o andamento do seu processo pelo celular

  1. Anote o número do processoEle tem 20 dígitos e é informado assim que a ação é distribuída. Peça esse número a quem cuida do seu caso e salve no celular.
  2. Entre no site do TRT da sua regiãoProcure a opção 'Consulta Processual' e digite o número. Para trabalhadores do Rio de Janeiro, o tribunal é o TRT da 1ª Região.
  3. Use o sistema PJeO Processo Judicial Eletrônico (PJe) é onde ficam os documentos e as decisões do seu processo.
  4. Instale o aplicativo JTeO JTe, Justiça do Trabalho Eletrônica, está disponível para Android e iOS e permite acompanhar o andamento e receber avisos de audiência.
  5. Fale com quem cuida do seu casoO advogado constituído é a principal fonte de informação e é quem explica o que cada movimentação significa.
Reforma Trabalhista

Existe um prazo para entrar com a ação, e esse sim é curto

A demora do processo assusta, mas o prazo que realmente pode custar o direito é o prazo para entrar. Pelo art. 7º, XXIX, da Constituição Federal, a regra geral é de até 2 anos após o fim do contrato para ajuizar a ação, e dentro dela podem ser cobrados os direitos dos últimos 5 anos do vínculo. Quem espera demais para começar não fica mais rápido: fica sem parte do que teria a receber.
CuidadoDesistir de pedir por causa da fama de demora é o erro mais comum. Enquanto o prazo de 2 anos corre, ele corre em silêncio, sem aviso nenhum. Passado o prazo, a discussão sobre o tempo do processo já não importa, porque a cobrança não pode mais ser feita.
Atraso no acerto da rescisão, aliás, é um dos assuntos mais frequentes nas novas ações, inclusive a multa do art. 477 da CLT, que trata do pagamento das verbas rescisórias fora do prazo. Nenhum resultado pode ser prometido, nem valor, nem data. O que se pode dizer com segurança é que existe caminho, que ele é acompanhável pela internet e que o acordo é uma via legítima quando faz sentido para você.

Perguntas frequentes

quanto tempo demora um processo trabalhista até a primeira audiência

Segundo dados de 2023, a média foi de cerca de 4 meses e 7 dias entre a entrada da ação e a primeira audiência. Esse tempo depende muito da agenda da Vara do Trabalho e do número de empresas que precisam ser chamadas. Não existe data garantida.

quanto tempo demora para receber o dinheiro do processo trabalhista

Os dados de 2023 apontam média de 4 anos, 1 mês e 7 dias até o recebimento efetivo dos valores, porque depois da decisão vem a fase de cobrança. Quando há acordo, o pagamento tende a ser bem mais rápido, com as condições definidas ali mesmo. Cada caso segue um ritmo próprio.

posso acompanhar meu processo trabalhista sozinho pela internet

Sim. Você consulta pelo site do TRT da sua região na opção Consulta Processual, pelo sistema PJe ou pelo aplicativo JTe, informando o número do processo. Quem cuida do seu caso continua sendo a melhor fonte para explicar o que cada movimentação significa.

o que acontece se a empresa recorrer da decisão

O processo segue para um tribunal revisar a decisão, o que naturalmente alonga o tempo. O prazo para recorrer da sentença deve ser verificado conforme o recurso cabível. Recurso não significa que a decisão foi apagada, apenas que será reexaminada.

por quanto tempo posso entrar com processo trabalhista depois de sair da empresa

A regra geral do art. 7º, XXIX, da Constituição Federal é de até 2 anos após o fim do contrato para ajuizar a ação. Dentro dessa ação, podem ser cobrados os direitos referentes aos últimos 5 anos do vínculo. Por isso, esperar demais reduz o que pode ser pedido.

vale a pena fazer acordo no processo trabalhista

Depende do valor oferecido e do que está sendo pedido. O acordo é a via mais rápida e responde por cerca de 38% das ações resolvidas na Justiça do Trabalho, mas aceitar é sempre uma escolha sua. A lei também protege quem assina, já que ninguém pode ser pressionado ou enganado para fechar acordo.

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Dr. Jorge Lopes BahiaOAB/RJ 159.842 · Advocacia trabalhista e previdenciária no Rio de Janeiro · artigos no Migalhas

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