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Periculosidade para leiturista de energia: quando há direito

Entenda quando o uso de motocicleta ou a exposição à eletricidade pode gerar adicional de 30% e quais provas ajudam no pedido.

5 de outubro de 20267 min de leituraAtualizado por Dr. Jorge Lopes Bahia

A periculosidade para leiturista de energia pode ser reconhecida quando o trabalhador usa motocicleta de forma habitual na rota ou fica exposto a instalações elétricas perigosas. O direito não nasce apenas pelo nome da profissão: é preciso analisar como o trabalho realmente acontece. Quando reconhecido, o adicional corresponde a 30% sobre o salário-base.

Periculosidade para leiturista de energia: quando há direito?

Pode ter direito, dependendo das condições de trabalho. A periculosidade, que é o adicional pago pela exposição a risco acentuado, depende das condições concretas do serviço. Para o leiturista, existem duas situações principais: o uso habitual de motocicleta durante as rotas e o contato habitual, ainda que intermitente, com instalações elétricas perigosas. O artigo 193 da CLT e os Anexos 4 e 5 da NR-16 tratam dessas formas de exposição.

Situação de trabalhoO que pode acontecer
Usa motocicleta habitualmente para cumprir as rotasPode haver direito ao adicional de 30%, conforme o Tema 101 do TST.
Abre caixas, acessa medidores antigos ou encontra fios expostosO direito dependerá da comprovação técnica da exposição ao risco elétrico.
Faz apenas leitura visual, sem contato com equipamento, e trabalha a pé ou de carroO material consultado não garante o adicional apenas pela função.
Usa a motocicleta por tempo ínfimo, ou seja, muito pequenoO tempo ínfimo é apontado como possível exceção, mas o material não define quanto seria esse tempo.
Advogado Trabalhista Rio de Janeiro

Uso moto nas rotas: tenho direito ao adicional de 30%?

Em 17 de abril de 2026, o Tribunal Superior do Trabalho julgou o Tema 101, no processo IncJulgRREmbRep-0000229-71.2024.5.21.0013. O entendimento foi que o adicional previsto no artigo 193, § 4º, da CLT, incluído pela Lei 12.997/2014, tem aplicação imediata. Na prática, o leiturista que usa motocicleta habitualmente para trabalhar não precisa demonstrar a validade das portarias ministeriais que foram questionadas por entidades patronais. A 2ª Turma do TST voltou a afirmar esse entendimento em 2 de outubro de 2026. Atenção: aplicação imediata não significa que a empresa vai pagar por conta própria, nem que qualquer rotina com moto gera o adicional. O uso precisa ser habitual, o tempo ínfimo pode ser apontado como exceção e ainda não está claro se as concessionárias já atualizaram a folha de pagamento espontaneamente.

Guarde isto

Guarde ordens de serviço, registros de rota, mensagens do supervisor, comprovantes de entrega da motocicleta, relatórios de visitas e contracheques. Aplicativos de percurso e testemunhas que conheçam a rotina também podem ajudar a demonstrar que a moto era usada no trabalho.

Trabalho perto do medidor: tenho direito à periculosidade?

Pode haver direito, mas a análise é técnica. Em 7 de novembro de 2024, o TRT da 6ª Região manteve o adicional para um leiturista no processo ROT 0000780-46.2023.5.06.0161. Um laudo pericial, documento elaborado por especialista para avaliar o ambiente de trabalho, comprovou contato habitual e intermitente com eletricidade de baixa tensão. O caso mostra que baixa tensão não afasta automaticamente o direito quando existe exposição efetiva ao risco. As situações abaixo são exemplos que precisam ser avaliados tecnicamente; nenhuma delas, sozinha, garante o adicional.

  • Abrir caixas metálicas sem manutenção.
  • Manusear medidores antigos com fios expostos.
  • Trabalhar próximo a sistemas energizados de baixa tensão de forma habitual.
Advogado trabalhista Rio de Janeiro

Posso receber periculosidade e insalubridade ao mesmo tempo?

O material consultado aponta que os dois adicionais não são pagos ao mesmo tempo. Se o trabalho também tiver uma condição insalubre, o empregado deve optar pelo adicional mais vantajoso. A discussão sobre essa cumulação aparece no Tema 17 do TST, processo TST-IRR-239-55.2011.5.02.0319. Essa escolha exige comparar os valores e as bases de cálculo antes de qualquer pedido.

Cuidado

Não toque em fios, medidores ou caixas energizadas para produzir prova. Registre apenas o que puder ser documentado com segurança e sem entrar em área proibida. Também não descarte contracheques e registros antigos, pois a falta desses documentos pode dificultar a demonstração da rotina.

Leiturista de energia sem adicional: o que posso fazer?

  1. Confira os contrachequesProcure uma rubrica (o item do contracheque) de adicional de periculosidade e verifique se o cálculo considera 30% do salário-base, que é a parcela fixa do salário antes de outros adicionais. Exemplo: com salário-base de R$ 2.000, o adicional seria de R$ 600, caso o direito seja reconhecido.
  2. Descreva a rotina realAnote a frequência do uso da motocicleta, o número de rotas e as situações de contato ou proximidade com equipamentos elétricos.
  3. Reúna documentosSepare ordens de serviço, registros de percurso, mensagens, relatórios, fotografias feitas com segurança e nomes de colegas que conheçam as atividades.
  4. Peça uma resposta por escritoSolicite à empresa esclarecimentos sobre o enquadramento da função, o adicional e os documentos de segurança usados para avaliar o risco.
  5. Avalie as provas técnicasSe houver discussão judicial, uma perícia pode examinar as instalações, os equipamentos e a forma como o serviço era realizado.

Ainda não está claro se todas as empresas atualizarão espontaneamente a folha de pagamento nem se haverá pagamento retroativo integral em todos os casos. A análise depende do período trabalhado, das atividades comprovadas e das possíveis exceções. Para conhecer outras verbas e medidas relacionadas ao contrato de trabalho, consulte a página de Direito Trabalhista do escritório.

Perguntas frequentes

Posso pedir o adicional se a motocicleta era minha?

O material consultado não resolve expressamente se faz diferença a moto ser do trabalhador ou da empresa. O que ele destaca é o uso habitual da motocicleta durante as rotas. Por isso, guarde registros que mostrem como a moto era usada no trabalho.

Quanto tempo preciso usar a moto para ter direito?

O material não estabelece uma duração mínima. A análise considera se o uso era habitual, e o uso por tempo ínfimo é apontado como possível exceção, sem definição de quanto seria esse tempo.

Tenho direito se trabalho com baixa tensão sem tocar nos fios?

A baixa tensão não afasta automaticamente o adicional, mas o direito depende da exposição efetiva ao risco. Uma avaliação técnica pode verificar a proximidade com instalações energizadas e a forma como o serviço era realizado.

Tenho direito a diferenças de periculosidade de meses anteriores?

O pagamento de períodos anteriores não é automático em todos os casos. A análise depende do período trabalhado, das atividades comprovadas e das possíveis exceções.

Quais provas ajudam quando a empresa não registra minhas rotas?

Mensagens do supervisor, relatórios de visitas, aplicativos de percurso, fotografias feitas com segurança e testemunhas podem ajudar. Contracheques e ordens de serviço também devem ser guardados.

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OAB/RJ 159.842 · advogado desde 2007, 19 anos de advocacia trabalhista no Rio de Janeiro · articulista do Migalhas

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