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Periculosidade na ponte rolante: quando há direito?

Entenda quando o risco elétrico ou a troca de cilindros de GLP pode gerar adicional e quais informações ajudam na avaliação técnica.

4 de outubro de 20267 min de leituraAtualizado por Dr. Jorge Lopes Bahia

A periculosidade na ponte rolante depende da atividade realmente executada e das condições do local. Pode haver direito ao adicional quando a rotina expõe o trabalhador a risco elétrico ou inclui a troca de cilindros de GLP, mas o nome da função, sozinho, não é suficiente.

Periculosidade na ponte rolante: quando há direito?

O artigo 193 da CLT e a NR-16 tratam das situações perigosas, enquanto o artigo 195 da CLT prevê a avaliação técnica. Na prática, é preciso verificar as tarefas realizadas, o local de trabalho, as fontes de risco e a frequência da exposição.

Situação encontrada no trabalhoO que precisa ser verificado
Ponte próxima de barramentos, condutores que distribuem energia elétrica ao equipamentoSe havia exposição a risco elétrico e se as proteções eram suficientes
Entrada habitual em área com inflamáveisQuais produtos estavam no local, em que quantidade e por quanto tempo ocorria a exposição
Troca de cilindros de GLPSe a troca fazia parte da rotina e colocava o trabalhador em condição perigosa
Contato raro e imprevisívelSe era uma situação eventual, sem relação normal com o trabalho
Operação apenas pelo controle da ponteOnde o operador ficava, por onde circulava e quais equipamentos energizados estavam próximos
Advogado trabalhista

Trabalho perto de barramento elétrico dá periculosidade?

A proximidade, por si só, não resolve a questão. Em agosto de 2025, o TST fixou entendimento no Tema Repetitivo nº 264 sobre risco elétrico em unidades consumidoras, locais que recebem energia para uso, quando existe condição equivalente à do sistema elétrico de potência, conjunto de instalações ligado à geração, transmissão e distribuição de energia. No caso da ponte rolante, a avaliação técnica precisa identificar as condições concretas mencionadas no material, como alta voltagem, barramentos sem proteção, cabos, painéis, trilhos energizados e o acesso necessário para operar ou acompanhar o equipamento.

Guarde isto

Não existe, no material consultado, uma distância única em metros que resolva todos os casos. Anote onde ficava o posto de operação, por quais áreas você circulava, quanto tempo permanecia perto das instalações e quais proteções existiam.

Troca de cilindro de GLP dá direito à periculosidade?

O Tema Repetitivo nº 87 do TST reconheceu a periculosidade para operadores que realizam a troca de cilindros de gás GLP. Essa tese interessa ao operador de ponte rolante quando a troca fazia parte de suas próprias atribuições. Se o trabalhador apenas circulava perto de inflamáveis, a análise é diferente e depende das condições concretas da área, da rotina e da exposição. A simples presença de empilhadeiras ou cilindros na empresa não comprova o direito.

Advogado trabalhista

O que organizar para a avaliação técnica da ponte rolante?

A perícia é uma avaliação técnica feita, em regra, por engenheiro de segurança ou médico do trabalho. O material consultado indica a necessidade de laudo técnico para verificar as condições previstas no artigo 193 da CLT e nos Anexos 2 e 4 da NR-16. O trabalhador pode organizar documentos e informações sobre a rotina, os equipamentos, as proteções existentes e eventuais mudanças no local.

  • O modelo da ponte rolante e a forma de alimentação elétrica.
  • A existência de barramentos, cabos, painéis ou partes energizadas expostas.
  • As proteções físicas, os bloqueios e o estado de conservação dos equipamentos.
  • A posição do operador e os trajetos percorridos durante o turno.
  • A presença de inflamáveis e a localização das áreas indicadas como perigosas.
  • A troca de cilindros de GLP ou outras tarefas além da operação da ponte.
  • A frequência e o tempo aproximado de cada exposição.
  • As mudanças feitas na ponte, nos barramentos, no depósito ou nas proteções.

Operador de ponte rolante: quais provas guardar?

  1. Separe seus documentosGuarde contracheques, contrato, registro da função, ordens de serviço, certificados de treinamento e comunicados sobre segurança.
  2. Descreva sua rotinaAnote onde a ponte ficava, quais materiais eram movimentados, os locais acessados e quantas vezes as tarefas perigosas aconteciam.
  3. Identifique possíveis testemunhasRegistre o contato de colegas que conheciam o posto, os equipamentos e as atividades realmente executadas.
  4. Peça os registros à empresaSolicite, por escrito, a descrição do cargo e os documentos de segurança relacionados ao posto de trabalho.
  5. Registre mudanças no localInforme se a empresa trocou a ponte, blindou barramentos, mudou o depósito ou instalou proteções depois do período trabalhado.
Cuidado

Não entre em área perigosa nem desrespeite regras de segurança para produzir fotografias. Também confira antes de assinar uma descrição de função: um documento incompleto pode dificultar a demonstração das tarefas que você realmente realizava.

Quanto é o adicional de periculosidade da ponte rolante?

Quando a periculosidade é reconhecida, o adicional corresponde a 30% e incide, em regra, sobre o salário-base. Por exemplo, se o salário-base é de R$ 2.000, o adicional corresponde a R$ 600 quando essa for a base aplicável. Outras parcelas podem entrar no cálculo dependendo da data da contratação e da regra aplicável, tema relacionado ao § 1º do artigo 193 da CLT e à Súmula nº 191 do TST.

O adicional também pode gerar reflexos, isto é, efeitos no cálculo de férias, 13º salário, FGTS e horas extras, conforme as parcelas devidas em cada contrato. A exposição não precisa ocupar todo o turno: conforme a Súmula nº 364 do TST, o contato intermitente, aquele que se repete como parte do serviço, pode gerar o direito, enquanto a exposição meramente eventual pode afastá-lo. Para entender outros direitos ligados ao contrato, à remuneração e ao encerramento do emprego, consulte a página de Direito Trabalhista do escritório.

Perguntas frequentes

Quanto é o adicional de periculosidade do operador de ponte rolante?

Quando reconhecido, o adicional é de 30% e incide, em regra, sobre o salário-base. Um salário-base de R$ 2.000 corresponde a R$ 600 de adicional quando essa for a base aplicável. Outras parcelas podem ser consideradas conforme a data da contratação e a regra aplicável.

Tenho direito à periculosidade com barramento blindado?

O material consultado não permite afirmar que a blindagem sempre elimina o direito. É necessário avaliar as condições concretas, a proteção existente, a alimentação elétrica, o acesso do trabalhador e a exposição durante a rotina.

Tenho direito à periculosidade em qualquer modelo de ponte rolante?

Não é possível afirmar que um modelo específico sempre gera ou sempre afasta o adicional. A avaliação deve considerar a forma de alimentação elétrica, as proteções, o local de operação e as atividades realmente realizadas.

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OAB/RJ 159.842 · advogado desde 2007, 19 anos de advocacia trabalhista no Rio de Janeiro · articulista do Migalhas

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