Início › Direito Trabalhista

Periculosidade do entregador de gás: botijão dá direito?

Entenda quando a moto, a quantidade de GLP e a troca de cilindros podem gerar o adicional de 30%.

2 de outubro de 20267 min de leituraAtualizado por Dr. Jorge Lopes Bahia

A periculosidade do entregador de gás pode dar direito ao adicional de 30%, mas o botijão, sozinho, não resolve todos os casos. É preciso verificar o veículo, a quantidade de GLP (gás liquefeito de petróleo) e as tarefas realizadas.

Periculosidade do entregador de gás: quando há direito?

O artigo 193 da CLT trata das atividades perigosas. Para o transporte de GLP, a NR-16 considera a quantidade carregada. Para quem trabalha habitualmente de motocicleta em vias públicas, o Anexo V da NR-16, introduzido pela Portaria MTE nº 2.021/2025, também prevê o adicional de 30%.

Situação do entregadorComo a situação é tratada
Usa motocicleta habitualmente em vias públicasA regra para motociclistas prevê adicional de 30%, independentemente da quantidade de gás transportada.
Leva somente dez P13 cheios em caminhão ou caminhoneteCada P13 é um botijão com 13 kg de gás. Dez unidades somam 130 kg de GLP e ficam dentro do limite de 135 kg.
Leva somente onze P13 cheios em caminhão ou caminhoneteOnze unidades somam 143 kg de GLP e ultrapassam o limite de 135 kg. O transporte é considerado perigoso pela regra da carga inflamável.
Troca cilindros de GLP para abastecer empilhadeirasO Tema Repetitivo nº 87 do TST reconhece o adicional mesmo quando essa troca dura poucos minutos. Outras formas de instalação ou troca precisam ser analisadas conforme a tarefa realizada.
Dr. Jorge Lopes, advogado trabalhista

Faço entrega de gás de moto: tenho direito aos 30%?

A regra prevê o adicional de 30% quando a motocicleta é usada habitualmente como ferramenta de trabalho em vias públicas, independentemente da quantidade de gás transportada. A Portaria MTE nº 2.021/2025 foi publicada em 3 de dezembro de 2025, e a regra passou a vigorar em 3 de abril de 2026.

Guarde isto

Guarde contracheques, registros das entregas, escalas, mensagens com rotas, fotografias do veículo e comprovantes de abastecimento. Esses documentos ajudam a demonstrar que a motocicleta era usada de forma habitual no trabalho.

Entrego de caminhão ou caminhonete: quantos botijões contam?

O item 16.6 da NR-16 exclui da periculosidade o transporte de pequenas quantidades, até 135 kg de inflamáveis gasosos liquefeitos. Em uma carga composta somente por P13 cheios, dez botijões somam 130 kg e não ultrapassam o limite. Onze somam 143 kg e ultrapassam os 135 kg.

As operações de transporte de inflamáveis líquidos ou gasosos liquefeitos, em quaisquer vasilhames e a granel, são consideradas em condições de periculosidade, exclusão para o transporte em pequenas quantidades, até o limite de [...] 135 (cento e trinta e cinco) quilos para os inflamáveis gasosos liquefeitos.NR-16, item 16.6, do Ministério do Trabalho
  • Anote quantos botijões eram levados em cada viagem.
  • Guarde notas, romaneios, que são as listas das cargas transportadas, pedidos e relatórios de entrega.
  • Registre o tipo e a capacidade dos botijões transportados.
  • Peça à empresa, por escrito, os documentos que descrevem os riscos da atividade.
  • Confira nos contracheques se existe pagamento identificado como adicional de periculosidade.

Troco botijões por poucos minutos: o tempo reduzido afasta o direito?

Nem sempre. A Súmula nº 364 do TST reconhece o adicional quando a exposição ao risco é permanente ou intermitente, isto é, quando acontece de forma repetida, ainda que não dure toda a jornada. O Tema Repetitivo nº 87 do TST, publicado em 7 de agosto de 2025, trata especificamente da troca de cilindros de GLP para abastecer empilhadeiras e reconhece o adicional mesmo quando a operação dura pouquíssimo tempo. A decisão, ligada ao processo nº RRAg-1000840-29.2018.5.02.0471, pode servir de referência para analisar tarefas semelhantes, mas não significa que toda instalação de botijão doméstico tenha automaticamente o mesmo enquadramento.

A empresa não paga o adicional: o que posso fazer?

  1. Confira o motivo do possível direitoIdentifique se o trabalho envolve uso habitual de motocicleta, carga superior a 135 kg de GLP ou troca de cilindros para abastecer empilhadeiras. Outras formas de troca ou instalação precisam ser avaliadas conforme a rotina real.
  2. Reúna os registrosSepare contracheques, rotas, mensagens, fotografias, ordens de serviço e documentos com a quantidade transportada.
  3. Peça uma resposta por escritoPergunte à empresa por que o adicional não aparece no contracheque e solicite os documentos usados para avaliar os riscos da função.
  4. Organize a rotina realAnote a frequência das entregas, o veículo utilizado, o número e o tipo dos botijões e quais tarefas eram feitas no local.
  5. Faça uma análise do casoCom os documentos reunidos, é possível avaliar se a atividade se enquadra nas situações previstas e quais medidas podem ser adotadas. Para informações gerais sobre emprego e rescisão, consulte a página de Direito Trabalhista do escritório.
Cuidado

Não descarte mensagens, romaneios ou fotos depois de sair da empresa. Também não assine uma descrição de função que não corresponda ao trabalho realizado. A falta desses registros pode dificultar a prova da rotina e da quantidade de gás transportada.

Perguntas frequentes

O que acontece se eu transportar botijões vazios?

Botijões vazios podem manter resíduos de gás, mas não há informação suficiente para afirmar se eles entram no cálculo dos 135 kg. Registre a quantidade, o tipo dos recipientes e as condições do transporte para permitir a análise do caso.

Posso receber periculosidade da moto e do gás ao mesmo tempo?

Não está esclarecido se os dois adicionais de 30% podem ser acumulados quando o trabalhador preenche ambos os requisitos. É importante separar as provas do uso habitual da motocicleta e da quantidade de GLP transportada.

Tenho direito a periculosidade se entrego gás de bicicleta?

A situação do entregador de bicicleta não está detalhada. A quantidade de gás transportada e as tarefas realmente realizadas, inclusive eventuais trocas ou instalações, precisam ser examinadas sem aplicar automaticamente a regra destinada às motocicletas.

Quantos botijões P13 ultrapassam 135 kg?

Em uma carga formada apenas por P13 cheios, dez botijões somam 130 kg e ficam abaixo do limite. Onze botijões somam 143 kg e ultrapassam os 135 kg.

Tenho direito aos 30% na moto mesmo com poucos botijões?

A regra do trabalho habitual com motocicleta em vias públicas independe da quantidade de gás transportada. O ponto principal é comprovar que a moto era usada habitualmente como ferramenta de trabalho.

Entenda se a sua rotina pode gerar o adicional

Converse com o escritório para analisar o veículo utilizado, a quantidade de gás transportada e os documentos do seu caso.

Falar com o escritório pelo WhatsApp

Prefere escrever? Use o formulário de contato.

OAB/RJ 159.842 · advogado desde 2007, 19 anos de advocacia trabalhista no Rio de Janeiro · articulista do Migalhas

Ficou com dúvida sobre o seu caso?

Um advogado trabalhista do escritório pode analisar a sua situação pelo WhatsApp.

Falar com advogado no WhatsApp
Falar com advogado