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Moto própria do motoboy: empresa paga aluguel e gasolina?

Entenda quais despesas do trabalho devem ser cobertas, como conferir o aluguel da moto e quais provas guardar para cobrar valores.

17 de outubro de 20267 min de leituraAtualizado por Dr. Jorge Lopes Bahia

A moto própria do motoboy usada nas entregas da empresa gera custos que não devem ficar com o empregado: combustível, manutenção e compensação pelo uso e desgaste do veículo. O valor e a forma de pagamento dependem das condições do trabalho e da convenção coletiva aplicável, mas o aluguel, quando serve para compensar essas despesas, geralmente não integra o salário. Se nada foi pago, é possível pedir o ressarcimento, com provas do uso profissional e dos gastos.

Moto própria do motoboy: quando a empresa deve pagar?

Se você é empregado e utiliza sua moto para fazer entregas ou cumprir outras tarefas da empresa, os custos dessa atividade não devem ser transferidos para o seu bolso. A base é o artigo 2º da CLT, que atribui ao empregador os riscos do negócio. Isso é diferente de usar a moto apenas para ir de casa ao trabalho. As orientações aqui tratam da relação de emprego: para quem atua como autônomo ou por aplicativo sem vínculo reconhecido, a obrigação de pagar essas despesas exige uma análise própria. [Consulte o artigo 2º da CLT](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452compilado.htm).

A empresa paga gasolina: ainda deve aluguel e manutenção?

Despesa ou pagamentoO que conferir no seu caso
Aluguel da motoCompensa a disponibilização do veículo para o trabalho. Confira o contrato e a convenção coletiva para saber o valor e quais custos estão incluídos.
CombustívelCorresponde ao gasto com os trajetos de serviço. Compare o que foi pago com os abastecimentos e a quilometragem profissional.
ManutençãoÓleo, pneus, freios e revisões precisam ser considerados conforme o uso no trabalho. Verifique se já estão cobertos pelo aluguel ou por outro pagamento.
Desgaste da motoA perda de valor pelo uso, chamada de depreciação, integra os custos profissionais a ressarcir. É preciso distinguir o desgaste do trabalho daquele causado pelo uso particular e conferir o que o aluguel já cobre. Não existe uma fórmula única indicada no material consultado.
Seguro e IPVAIntegram os custos a ressarcir na parcela correspondente ao uso profissional da moto. Confira o que já está coberto pelo aluguel. Isso não significa reembolso integral de toda despesa anual, inclusive da parte ligada ao uso particular.

Combustível e aluguel têm finalidades diferentes. Receber pela gasolina não resolve, por si só, o desgaste da moto ou a troca de peças. Por outro lado, se existe um pagamento único, é necessário verificar o que ele cobre antes de somar despesas. Peça à empresa uma explicação por escrito sobre os itens incluídos e o critério de cálculo. Se o valor for insuficiente para os custos profissionais que deveria cobrir, pode haver diferença a cobrar. A conta deve descontar o que já foi pago pelo mesmo gasto.

Serviço de entregas urbanas (foto ilustrativa)

Quanto a empresa deve pagar pelo uso da minha moto?

Não há um valor único que sirva para todo motoboy. Comece pela convenção coletiva, o documento negociado pelos sindicatos que estabelece condições de trabalho para determinada categoria. Ela pode fixar a taxa de aluguel da moto. Peça uma cópia à empresa ou ao sindicato e confira a categoria, a cidade abrangida e o período de validade. No Rio de Janeiro, não basta encontrar uma convenção com a palavra motoboy: ela precisa alcançar seu contrato. Exemplo hipotético: imagine que, em um mês, os custos profissionais apurados sejam R$ 400 de combustível, R$ 100 de manutenção e R$ 100 referentes ao desgaste e à parcela profissional de seguro e IPVA. O total seria R$ 600. Se a empresa pagou R$ 200 de aluguel que já cobrem integralmente aqueles custos de manutenção, desgaste, seguro e IPVA, mais R$ 350 de combustível, a comparação apontaria R$ 50 de combustível ainda sem cobertura. Os R$ 200 já cobertos pelo aluguel não seriam cobrados novamente. Esses valores apenas ilustram a comparação: não estabelecem tarifa obrigatória nem fórmula para calcular o desgaste.

Registre os quilômetros e os gastos

Anote a quilometragem no início e no fim do serviço, com as datas e os trajetos. Separe o uso profissional do particular e guarde notas de abastecimento, revisões e peças. Uma planilha mensal ajuda a comparar despesas e pagamentos. Para o desgaste da moto, registre modelo, ano e quilometragem, sem aplicar uma taxa por quilômetro encontrada na internet como se fosse obrigatória.

O aluguel da moto entra no cálculo de férias, 13º e FGTS?

Em regra, quando o pagamento compensa o uso do veículo no serviço, ele tem natureza indenizatória, isto é, repõe um custo em vez de remunerar seu trabalho. Por isso, não aumenta a base de cálculo de férias, 13º e FGTS. A Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) adotou esse entendimento em um caso de leiturista que utilizava a própria motocicleta. Para o trabalhador, a consequência prática é separar duas questões: receber corretamente pelas despesas e verificar se existe salário disfarçado de aluguel. [Veja a notícia sobre o julgamento](https://www.tst.jus.br/-/aluguel-de-motocicleta-usada-no-trabalho-nao-integra-salario-de-leiturista-1).

O nome no recibo, sozinho, não encerra a discussão. Em um caso específico, a Segunda Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT11) considerou salarial um pagamento chamado de aluguel, diante das circunstâncias da contratação e da finalidade de atrair o trabalhador pela remuneração. Nesse caso, a empresa não exigia comprovação dos gastos efetivos com combustível e manutenção, o que ajudou a fundamentar o entendimento de que o pagamento remunerava o trabalho. Isso não transforma todo aluguel fixo em salário. Também não significa que um reembolso insuficiente vire salário automaticamente. Guarde a proposta de contratação, os recibos e as mensagens que expliquem como cada valor foi combinado. [Consulte o caso divulgado pelo TRT11](https://portal.trt11.jus.br/index.php/main/1875-segunda-turma-entende-que-aluguel-de-motocicleta-de-entregador-tem-natureza-salarial).

Cuidado com recibos que não correspondem ao pagamento

Não confirme o recebimento de aluguel, combustível ou manutenção que não foram pagos. Confira valores e períodos antes de assinar e peça uma cópia do documento. Se houver divergência, registre por escrito o que aconteceu e guarde os comprovantes bancários. Um recibo incorreto pode dificultar a prova, embora não encerre sozinho a análise do seu direito.

Usei minha moto nas entregas e não recebi: o que posso cobrar?

Você pode pedir a análise dos valores não pagos pelo uso profissional da moto e das despesas que ficaram por sua conta. Conforme a convenção coletiva e as provas, a cobrança pode envolver aluguel, combustível, manutenção ou compensação calculada pela quilometragem. Essas formas de cálculo não devem ser somadas automaticamente, porque podem cobrir o mesmo custo. Se houve pagamento parcial, o pedido pode ser de diferenças. O ponto central é mostrar quando a moto foi usada para a empresa, quais despesas isso gerou e quanto foi efetivamente recebido.

  1. Comprove que a moto era usada no serviçoSepare o contrato de trabalho, eventual contrato de aluguel da moto, documento do veículo e mensagens com exigências de entrega. Guarde escalas, ordens de serviço e relatórios de trajetos. Esses registros ajudam a mostrar que a moto atendia às tarefas da empresa.
  2. Organize os gastos por mêsReúna notas de combustível e de oficina, recibos de peças e registros de quilometragem. Identifique data, valor e motivo de cada despesa. Quando a moto também for usada fora do serviço, registre essa diferença para permitir uma estimativa coerente do custo profissional.
  3. Compare as despesas com os pagamentosJunte contracheques, recibos separados e extratos bancários. Monte uma relação com o que foi gasto, o que a empresa informou que pagaria e o que entrou na conta. Não considere todo depósito como salário ou aluguel sem conferir sua origem.
  4. Peça os critérios à empresaSolicite por escrito a regra de aluguel e reembolso, os comprovantes dos pagamentos e a convenção coletiva utilizada. Você pode escrever: 'Uso minha moto nas entregas e gostaria de receber o detalhamento dos valores destinados ao veículo, ao combustível e à manutenção'. Guarde a resposta.
  5. Leve o conjunto para avaliaçãoSe a diferença continuar, apresente os documentos ao sindicato ou a um advogado trabalhista para avaliar a cobrança. Informe também quando começou e terminou o contrato, se já saiu da empresa. Há limites de tempo para cobrar, e a avaliação precisa considerar as datas do seu caso.
Faltou nota fiscal? Reúna o que existe

Procure segundas vias na oficina e no posto, comprovantes de cartão, transferências e conversas sobre os gastos. Salve as mensagens com data e contexto e mantenha cópias fora do aparelho usado no serviço. A falta de um documento não permite concluir, sozinha, que toda cobrança está perdida. O conjunto das provas precisa ser avaliado.

Dr. Jorge Lopes, advogado trabalhista

O custo da moto pode aparecer junto de outras dúvidas sobre salário, jornada e saída da empresa. Para entender essa visão mais ampla, consulte a página de Direito Trabalhista do escritório. Ao conversar sobre seu caso, leve os documentos do veículo e do contrato de trabalho, além dos registros de gastos. Isso ajuda a identificar o que já foi coberto, o que pode estar faltando e qual caminho de cobrança faz sentido.

Perguntas frequentes

tenho direito a periculosidade se a empresa paga aluguel da moto?

O empregado que utiliza motocicleta em vias públicas no trabalho tem direito ao adicional de periculosidade, que remunera a exposição ao risco. O aluguel compensa o uso do veículo e tem outra finalidade. Receber aluguel ou combustível não substitui o adicional de 30% sobre o salário-base, conforme o artigo 193, § 1º, da CLT. [Consulte o texto da CLT](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452compilado.htm).

posso cobrar gastos da moto se a empresa paga tudo como ajuda de custo?

O nome do pagamento, sozinho, não esclarece quais despesas foram cobertas. Peça o detalhamento à empresa e compare o valor recebido com os gastos profissionais e com as regras aplicáveis ao seu contrato. Se houver despesas que deveriam estar cobertas e ficaram por sua conta, pode haver diferenças a cobrar, descontando o que já foi pago pelo mesmo gasto.

quanto posso cobrar se o contrato não separa gasolina e aluguel da moto?

Não é possível definir o valor apenas pela falta dessa separação no contrato. É preciso conferir o que o pagamento combinado cobre, as regras da convenção coletiva e os registros de gastos e de uso profissional. A conta deve considerar os valores já recebidos, sem cobrar duas vezes pela mesma despesa.

posso cobrar despesas da moto depois de sair da empresa?

É possível pedir a avaliação de despesas do período em que você trabalhou para a empresa, mesmo após a saída. Reúna os comprovantes de gastos, os pagamentos recebidos e as datas de início e fim do contrato. Há limites de tempo para cobrar, que precisam ser considerados na análise do seu caso.

A empresa deixou os custos da moto com você?

Converse com o escritório do Dr. Jorge Lopes Bahia sobre o uso da sua moto no trabalho e os documentos que podem ajudar na análise dos pagamentos.

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OAB/RJ 159.842 · advogado desde 2007, 19 anos de advocacia trabalhista no Rio de Janeiro · articulista do Migalhas

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