A prefeitura não responde automaticamente, mas pode ser cobrada quando houver prova de falha na fiscalização.
A merendeira terceirizada que não recebeu salário, FGTS ou verbas da rescisão não pode exigir automaticamente que a prefeitura pague a dívida. A prefeitura pode responder quando houver prova de notificação formal, inércia na fiscalização e ligação entre essa omissão e o prejuízo. Por isso, registrar as irregularidades é uma medida importante.
A prefeitura pode ser obrigada a pagar quando a trabalhadora comprova a falha de fiscalização e sua ligação com o prejuízo. Em 13 de fevereiro de 2025, o Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento do Recurso Extraordinário 1.298.647, processo que deu origem ao Tema de Repercussão Geral nº 1.118. A regra definida pelo STF impede a condenação apenas porque a empresa terceirizada não pagou seus empregados. A falta de pagamento, sozinha, não prova que o poder público fiscalizou mal.
| Situação | O que pode acontecer |
|---|---|
| A empresa atrasou salários, mas não há prova de notificação formal à prefeitura | A dívida não passa automaticamente para a prefeitura. |
| A prefeitura recebeu notificação formal e permaneceu sem agir | O registro pode ajudar, mas ainda será necessário demonstrar a ligação entre a omissão e o prejuízo. |
| Existem documentos mostrando problemas repetidos e falta de fiscalização | As provas podem sustentar que a omissão pública contribuiu para o prejuízo. |
| A empresa deixou de pagar ou encerrou as atividades de forma repentina | A dívida não passa automaticamente para a prefeitura. O material não esclarece essa situação específica. |

A prefeitura pode ser responsabilizada quando a trabalhadora comprova a ligação entre a omissão do poder público e o prejuízo. Essa ligação é chamada de nexo de causalidade. Também cabe à merendeira ou ao sindicato apresentar elementos que indiquem a falha de fiscalização, obrigação conhecida como ônus da prova, isto é, o dever de demonstrar os fatos alegados.
Os tribunais já aplicam esse entendimento de formas diferentes conforme as provas de cada caso. Em junho de 2026, o TRT-18 afastou a responsabilidade do Município de Campos Belos no processo AR-0000034-41.2026.5.18.0000. Em outubro de 2025, o TRT-9 reconheceu a responsabilidade do Município de Irati porque a trabalhadora demonstrou que o município conhecia as irregularidades e não tomou providências.
Separe os documentos sobre a dívida das provas de notificação à prefeitura. Faça cópias dos protocolos, extratos, contracheques e respostas recebidas. Anote as datas para organizar o que aconteceu antes e depois do aviso formal.
A notificação formal é uma prova especialmente importante depois do Tema nº 1.118 do STF. Como forma de criar um registro, a merendeira pode tentar apresentar uma reclamação escrita em um canal oficial e pedir um protocolo. O sindicato também pode comunicar o problema. Porém, o material não define qual canal ou destinatário torna a notificação válida, inclusive quando o aviso é entregue à direção da escola ou à secretaria. Também não esclarece se conversa verbal ou mensagem isolada de WhatsApp é suficiente.

A empresa terceirizada continua sendo a responsável direta pelas obrigações trabalhistas. A prefeitura pode ser incluída na discussão quando existirem elementos concretos de omissão na fiscalização. Cada contrato e cada sequência de notificações precisam ser examinados separadamente. A página de Direito Trabalhista do escritório reúne uma visão mais ampla sobre salários, FGTS, rescisão e outros direitos de quem trabalha.
Não dependa apenas de conversas ou da cobrança enviada à empresa. Sem prova de notificação formal à prefeitura, pode ser difícil demonstrar quando o poder público recebeu o aviso. O protocolo ajuda a registrar a entrega, mas o material não assegura que qualquer canal ou destinatário seja juridicamente suficiente. Também não entregue documentos originais sem guardar uma cópia.
O ponto central é provar que a prefeitura recebeu notificação formal, permaneceu inerte e que essa omissão teve ligação com o prejuízo da merendeira. O Tema nº 1.118 do STF não eliminou toda possibilidade de responsabilização do poder público, mas tornou essa prova decisiva. A documentação organizada permite examinar separadamente a dívida da empresa, o aviso ao poder público e as providências tomadas depois dele.
A prefeitura não assume automaticamente os salários atrasados pela empresa terceirizada. Para que ela possa responder, é necessário provar a notificação formal, a inércia na fiscalização e a ligação entre essa omissão e o prejuízo.
A falência ou o desaparecimento da empresa não transfere automaticamente a dívida para a prefeitura. O material disponível não define uma regra específica para uma quebra totalmente inesperada.
O material analisado não esclarece quanto tempo a prefeitura pode tentar resolver o problema depois da notificação antes de ser considerada negligente. Guarde o protocolo e os registros posteriores para documentar a sequência dos fatos.
O material não esclarece se uma mensagem isolada de WhatsApp vale como notificação formal. Tentar registrar a reclamação em um canal oficial e pedir protocolo pode criar uma prova da entrega, mas não há garantia de que esse registro será considerado suficiente.
Você pode informar o nome da empresa terceirizada, a escola onde trabalha, os meses em atraso e os valores pendentes. Peça um protocolo e guarde uma cópia, lembrando que o material não define qual canal ou destinatário torna a notificação válida.
Converse com o escritório para organizar os documentos e avaliar a atuação da empresa terceirizada e da prefeitura.
Falar com o escritório pelo WhatsAppPrefere escrever? Use o formulário de contato.
Ficou com dúvida sobre o seu caso?
Um advogado trabalhista do escritório pode analisar a sua situação pelo WhatsApp.
Falar com advogado no WhatsApp