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Insalubridade na lavanderia de hospital: como é avaliada

Quem separa e lava roupa de paciente lida com material contaminado, e isso costuma entrar na avaliação junto com o calor do vapor.

17 de setembro de 20267 min de leituraAtualizado por Dr. Jorge Lopes Bahia

Quem trabalha na lavanderia de um hospital costuma achar que o adicional é só por causa do calor. A discussão sobre insalubridade na lavanderia de hospital costuma olhar também outro ponto: o contato com roupa suja de paciente, com sangue, secreção e fluido do corpo. O grau, quando reconhecido, depende da avaliação técnica da rotina de cada pessoa, e não de uma regra fixa que valha para todo mundo.

Insalubridade na lavanderia de hospital: o que entra na avaliação

A análise de insalubridade costuma separar os riscos por tipo. Calor é um risco físico, que se apura com aparelho de medição no local. Já o contato com material contaminado é tratado como risco biológico, ou seja, exposição a micro-organismos (bactérias, vírus e fungos) que podem causar doença. Recolher, pesar e separar roupa que veio direto de enfermaria, centro cirúrgico ou isolamento é uma rotina que entra nessa segunda análise. Por isso a situação do auxiliar de lavanderia de hospital costuma ser examinada de forma diferente da de uma lavanderia comum de rua, mesmo que as duas tenham máquina, vapor e calandra (a máquina de rolo aquecido que passa lençol e roupa lisa).

Repare no detalhe: o ponto central não é lavar roupa. É lidar com roupa contaminada antes da lavagem. Quem só recebe a peça já higienizada, dobra e entrega no andar está numa situação bem diferente de quem abre o saco de roupa suja.

Setor sujo e setor limpo: onde você fica muda a discussão

Lavanderia hospitalar bem organizada é dividida em dois lados, com barreira física entre eles. O setor sujo (também chamado de área contaminada) é onde a roupa chega, é pesada, separada e colocada na máquina. O setor limpo é onde sai a roupa já lavada, vai para a secadora, a calandra e a costura. Fluxo correto é o que nunca deixa roupa suja voltar para o lado limpo.

Na discussão judicial, a empresa quase sempre afirma que o empregado só atuava no lado limpo. E aí entra a realidade do dia a dia: em muito hospital, o mesmo trabalhador faz os dois lados, cobre folga do colega, empurra carrinho de roupa suja ou recolhe saco no andar. Se é o seu caso, isso precisa ficar registrado, porque é um dos pontos que a avaliação técnica vai examinar.

O que você faz na lavanderiaO que costuma ser examinado
Abre sacos, pesa e separa roupa suja de pacienteO contato com material contaminado antes da lavagem
Recolhe roupa suja nos andares, enfermaria ou centro cirúrgicoO mesmo ponto, ainda que você não opere a máquina
Opera calandra, secadora e passa roupa já lavadaO calor, que depende de medição feita com aparelho no local
Dobra, separa e entrega roupa limpa no estoqueA análise fica mais restrita ao calor e às condições do ambiente
Faz os dois setores, cobre folga ou acumula funçãoAqui é preciso demonstrar o revezamento, com escala, registro ou testemunha
Advogado trabalhista Rio de Janeiro
Guarde isto

Junte tudo o que mostre onde você realmente trabalhava: escala de revezamento, foto do crachá com a função, mensagem de grupo da equipe pedindo para cobrir o setor sujo, ficha de entrega de EPI (equipamento de proteção) e os exames que a empresa fez em você. Peça por escrito, de preferência por e-mail, cópia dos seus exames e dos documentos de saúde e segurança do setor. A cópia do envio já é um registro do pedido.

O calor da calandra entra na conta?

Entra, mas por um caminho próprio. Calor não se demonstra por sensação nem só por depoimento. Depende de medição técnica no posto de trabalho, feita com aparelho, levando em conta a temperatura, o tempo em que você fica exposto e o esforço físico da tarefa. Calandra, secadora e caldeira podem gerar exposição relevante, principalmente em local mal ventilado.

Quando a rotina tem os dois lados, vale descrever os dois na hora de reclamar: o contato com roupa contaminada e o calor. São análises independentes, e cada uma é apurada por um caminho diferente.

Como funciona a perícia e o que ela olha

Perícia é a visita de um profissional técnico nomeado pelo juiz, que vai ao local, observa a rotina e escreve um laudo, que é o relatório técnico com as conclusões dele. Esse laudo costuma ser uma das principais peças examinadas no processo. Vale saber como se preparar para essa visita.

  1. Descreva a rotina real, não a do papelConte o dia inteiro: que horas começa, quantos sacos de roupa abre, se entra no setor sujo, se recolhe roupa no andar, quanto tempo fica perto da calandra.
  2. Peça para acompanhar a visitaVocê pode ir junto com seu advogado. É comum a empresa mostrar ao perito um setor arrumado e um fluxo de trabalho que não existia no seu tempo de casa.
  3. Indique colegas que fazem a mesma funçãoQuem trabalha no próprio setor é quem consegue confirmar revezamento, falta de equipamento e acúmulo de tarefa.
  4. Guarde as fichas de EPIFique com cópia das fichas de entrega de equipamento e anote as datas em que faltou material, em que a luva veio furada ou em que não houve reposição. Esses registros ajudam a descrever a rotina.
  5. Fale das mudanças no setorSe o hospital reformou a lavanderia ou instalou barreira depois que você saiu, diga isso: a visita acontece hoje, mas o que se discute é o período em que você trabalhou.
Cuidado

Não assine ficha de entrega de equipamento em branco nem documento que descreva sua rotina de um jeito diferente do que era na prática, por exemplo declarando que você nunca teve contato com roupa suja. Leia antes de assinar e peça cópia do que assinar. Se algo estiver errado no papel, anote a data e o que foi dito na hora.

Advogado Trabalhista e Previdenciário

Nunca recebi o adicional ou fui demitido: o que fazer agora

Sair da empresa não apaga o período em que você trabalhou naquela rotina. Se você nunca recebeu o adicional, ou recebeu em grau menor do que a sua rotina indicava, isso pode ser discutido. O que é possível pedir, e de que forma, depende da análise dos documentos e do que for apurado sobre o seu dia a dia.

  • Separe holerites de todo o período e veja se aparece alguma linha de insalubridade e em que grau
  • Guarde carteira de trabalho, contrato, aditivos e qualquer documento que descreva sua função
  • Peça cópia dos exames ocupacionais (admissional, periódico e demissional) e dos documentos de saúde e segurança do setor que a empresa fornecer
  • Anote nomes de colegas que faziam a mesma rotina e que possam confirmar o que acontecia
  • Fotografe, quando for possível e permitido, o carrinho de roupa suja, o equipamento recebido e a divisão dos setores
  • Escreva num caderno ou no celular, com data, os dias em que você cobriu o setor sujo ou recolheu roupa nos andares

Cada lavanderia é organizada de um jeito, e a discussão depende do que for demonstrado sobre a sua rotina. Por isso a documentação conta tanto quanto o relato. Quem reúne escala, ficha de equipamento e nomes de colegas do setor leva mais elementos para a análise do que quem conta só com a lembrança do dia a dia.

Perguntas frequentes

tenho direito a insalubridade trabalhando na lavanderia do hospital?

Não existe resposta automática. O que pesa é a sua rotina real: se há contato com roupa suja de paciente antes da lavagem, se você reveza entre setor sujo e setor limpo e qual a exposição ao calor. Esses pontos são apurados por avaliação técnica no caso concreto.

quem lava roupa de paciente recebe insalubridade em grau máximo?

O grau não é definido por regra fixa nem pelo nome do cargo. Ele depende da avaliação técnica da rotina que for comprovada no caso. Por isso a descrição do que você faz, e a prova disso, é o ponto mais importante.

o EPI corta o adicional de insalubridade?

A entrega, a troca e a fiscalização do uso do equipamento são pontos que entram na análise, junto com a exposição do dia a dia. Não dá para responder de forma geral, porque depende do que for apurado no caso. Guarde as fichas de entrega e anote quando faltou equipamento ou reposição.

quanto tempo perto da calandra é preciso para ter direito?

Não existe um número fixo que sirva para todo caso. Calandra é a máquina de rolo aquecido que passa lençol e roupa lisa, e a exposição ao calor é apurada com medição no local, considerando temperatura, tempo de exposição no turno e esforço físico da tarefa.

o que acontece se a empresa disser que eu só trabalhava no setor limpo?

A discussão vira uma questão de prova. Escala de revezamento, mensagens pedindo cobertura de colega, fichas do setor sujo e o depoimento de quem trabalhava junto são elementos que ajudam a mostrar como era a rotina. Vale reunir esse material antes da perícia.

posso cobrar insalubridade depois de já ter sido demitido?

A saída da empresa não apaga o período em que você trabalhou naquela rotina. O que ainda pode ser discutido, e como, depende da análise do seu caso e dos documentos. Organizar holerites, exames e registros da função é o primeiro passo.

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Conte como é o seu dia na lavanderia do hospital e podemos olhar juntos os documentos do seu caso.

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Dr. Jorge Lopes BahiaOAB/RJ 159.842 · Advocacia trabalhista e previdenciária no Rio de Janeiro · artigos no Migalhas

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