A rotina pode indicar vínculo, mas decisões do STF e a suspensão determinada em abril de 2025 afetam esses processos.
O designer PJ pode discutir o direito à carteira assinada quando as provas mostram horário obrigatório, ordens diretas, trabalho contínuo e falta de autonomia. Contudo, o STF tem revertido reconhecimentos de vínculo. Em abril de 2025, uma decisão também determinou a suspensão nacional dos processos sobre pejotização, que é a contratação por meio de pessoa jurídica.
O nome colocado no contrato não resolve a questão sozinho. Os artigos 2º e 3º da CLT consideram elementos como pessoalidade, habitualidade, pagamento e subordinação. Em linguagem simples, importa saber se o designer precisava trabalhar pessoalmente, com frequência, mediante remuneração e sob o comando da agência.
| Situação no trabalho | O que pode indicar |
|---|---|
| Cumpria entrada, saída e intervalo definidos pela agência | Horário fixo e controle da jornada |
| Recebia ordens sobre como executar cada tarefa | Subordinação, ou seja, pouca liberdade para organizar o próprio trabalho |
| Não podia enviar outro profissional no seu lugar | Pessoalidade |
| Trabalhava de forma contínua para a mesma agência | Habitualidade |
| Recebia valor periódico pelo trabalho | Onerosidade, que significa trabalho remunerado |
| Podia escolher clientes, horários e forma de execução | Maior autonomia, característica que pode fortalecer a validade do contrato PJ |

A subordinação pode aparecer quando a agência deixa de apenas coordenar uma entrega e passa a controlar a forma diária de trabalho. Em março de 2025, o TRT-9 reconheceu o vínculo de uma trabalhadora de agência de marketing após considerar ordens diretas, jornada fixa e metas rígidas. Esses indícios devem ser avaliados em conjunto, pois não há uma fronteira exata definida entre coordenação do serviço e subordinação.
Preserve mensagens e planilhas de horário que mostrem ordens, horários obrigatórios e cobranças. Mantenha as datas e o contexto visíveis para que a rotina possa ser compreendida.
A assinatura do contrato PJ e a emissão de notas fiscais não impedem, por si sós, a análise de como o trabalho realmente acontecia. Porém, o STF tem validado formas alternativas de contratação com base na liberdade contratual, especialmente quando entende que o profissional tinha qualificação, boa remuneração e capacidade de escolher o regime de trabalho.
Em julho de 2024, o ministro André Mendonça cassou uma decisão que havia reconhecido o vínculo de um designer com a RedeTV!. O profissional pediu demissão e começou a atuar como PJ no dia seguinte. Esse resultado mostra que ter trabalhado antes com carteira assinada não garante o reconhecimento do vínculo no período seguinte.
Não apague mensagens nem planilhas de horário relacionadas à sua rotina. O contrato escrito, sozinho, também não demonstra como o trabalho acontecia na prática.

Quem deseja entender também outras situações de contratação, demissão, jornada e pagamento pode consultar a página de Direito Trabalhista do escritório. Ela reúne uma visão mais ampla dos direitos de quem trabalha.
Em abril de 2025, o ministro Gilmar Mendes determinou a suspensão nacional dos processos que discutem pejotização até o julgamento do Tema 1389 do STF, ligado ao ARE 1.532.603. O tema discute a validade dessas contratações e qual Justiça deve analisar os casos. Essa é a data da informação disponível, sem confirmação de eventuais mudanças posteriores.
Os precedentes têm alcances diferentes. A ADPF 324 validou a terceirização de atividade-fim. O RE 958.252 serviu de base para a tese sobre a licitude da terceirização. Já o Tema 725 reconheceu a validade constitucional da terceirização e de outras formas de divisão do trabalho, inclusive a pejotização. Esses entendimentos não tornam todo contrato PJ automaticamente válido, mas reforçam a importância de provar se existia autonomia ou uma rotina controlada pela agência.
O horário fixo pode ser um indício importante, mas não garante o vínculo sozinho. Também são avaliadas as ordens recebidas, a autonomia, a continuidade do trabalho e a possibilidade de outra pessoa executar o serviço.
A mudança de CLT para PJ não garante o reconhecimento do vínculo no período seguinte. Em julho de 2024, o STF reverteu uma decisão favorável a um designer que passou de empregado a PJ no dia seguinte ao pedido de demissão. A rotina e as provas de falta de autonomia precisam ser analisadas.
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