Entenda quando o uso do veículo pode gerar ressarcimento de combustível, manutenção e depreciação, inclusive com pagamento por km.
O carro próprio do vendedor usado para visitar clientes, cumprir rotas ou transportar materiais pode gerar direito ao ressarcimento das despesas. O pagamento não deve considerar somente o combustível: manutenção, desgaste e perda de valor do veículo também podem entrar na análise.
Quando a empresa exige ou aproveita o uso habitual do veículo particular para realizar suas vendas, os custos do trabalho não devem simplesmente ser transferidos ao empregado. O artigo 2º da CLT estabelece que o empregador assume os riscos da atividade econômica. Com base nisso, decisões da Justiça do Trabalho têm reconhecido o ressarcimento de gastos suportados pelo vendedor.
Registre as rotas, a quilometragem inicial e final e as visitas realizadas. Guarde notas de combustível, ordens de serviço, recibos de manutenção, mensagens com roteiros e relatórios enviados à empresa.

Nem sempre. O combustível permite que o carro circule, mas não paga pneus, óleo, revisões nem a desvalorização provocada pelo uso. Em um caso específico, em 31/03/2025, o TRT-21 (RN) condenou uma empresa a pagar R$ 2 mil por depreciação. Em outro caso, em 27/02/2025, o TRT-12 (SC) reconheceu o direito ao ressarcimento por combustível insuficiente. Esses exemplos mostram como casos concretos foram julgados, mas não garantem o mesmo resultado em outras situações.
| Situação | O que deve ser conferido |
|---|---|
| A empresa paga combustível | Se o valor cobre todo o percurso profissional e como os quilômetros são registrados |
| A empresa paga por quilômetro | Quais despesas estão reunidas no valor e qual memória de cálculo foi usada |
| Não há pagamento pelo desgaste | Frequência das viagens, quilometragem, manutenção e perda de valor do veículo |
| O valor é fixo todo mês | Se existe prestação de contas e se o pagamento corresponde às despesas reais |
Não existe uma tabela oficial com valor único por quilômetro. As decisões e reportagens disponíveis também não detalham uma fórmula que permita definir o cálculo para cada caso. Há exemplos de R$ 0,70 por km e de pagamentos mensais de R$ 300 ou R$ 400, mas esses números não formam uma tabela e não garantem o mesmo valor. O pagamento por quilômetro pode reunir combustível, manutenção, desgaste e depreciação. Por isso, o vendedor pode pedir por escrito quais custos estão incluídos e a memória de cálculo, isto é, a explicação de como a empresa chegou ao valor pago.
Não descarte comprovantes depois de receber um valor fixo. Sem notas, registros de rota e documentos do veículo, fica mais difícil demonstrar o uso profissional e comparar o pagamento com as despesas suportadas.

Quando o pagamento corresponde às despesas comprovadas, como quilômetros registrados e prestação de contas, ele tem natureza indenizatória, expressão que significa reposição de um gasto, e não pagamento pelo trabalho. Nessa situação, não há incidência de INSS, FGTS ou Imposto de Renda sobre o reembolso. Se a empresa paga quantia fixa e habitual sem qualquer comprovação, o valor pode ser considerado salário e produzir reflexos em férias e 13º salário.
Cada situação depende das provas e da forma como o veículo era usado. A página de Direito Trabalhista do escritório apresenta uma visão mais ampla sobre direitos no emprego e na rescisão. O promotor de vendas tem questões próprias, inclusive sobre roteiro e controle de horário, que devem ser tratadas em conteúdo específico para essa profissão.
Rotas, mensagens, relatórios, fotos do painel e registros de visitas podem ajudar a comprovar o uso profissional do carro. Já os recibos e extratos ajudam a demonstrar o valor das despesas. A falta de recibo pode dificultar a cobrança, e a suficiência de outros documentos depende da análise de cada caso.
O ressarcimento pode abranger manutenção, pneus, óleo, seguro, desgaste e perda do valor de revenda. É importante verificar se esses custos já estão incluídos no pagamento por quilômetro ou no valor mensal feito pela empresa.
O trabalhador pode registrar a quilometragem, guardar as notas e comparar o gasto com o valor recebido. Em 27/02/2025, o TRT-12 (SC) reconheceu o direito ao ressarcimento por combustível insuficiente em um caso específico.
Guias jurídicos publicados em maio de 2026 mencionaram indenização retroativa por quilômetro rodado. As despesas anteriores podem ser analisadas com base nos registros de uso profissional, pagamentos recebidos e comprovantes disponíveis, sem garantia de ressarcimento.
Converse com o escritório para analisar os registros de quilometragem, os pagamentos feitos pela empresa e os gastos do seu caso.
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