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Insalubridade do gari: coleta e varrição dão 40%?

Entenda quando o adicional chega a 40%, como conferir o cálculo e quais provas ajudam a demonstrar o trabalho com lixo urbano.

7 de outubro de 20267 min de leituraAtualizado por Dr. Jorge Lopes Bahia

A insalubridade do gari pode ser de grau máximo, com adicional de 40%, quando há contato permanente com lixo urbano. O entendimento consolidado pelo Tribunal Superior do Trabalho alcança tanto quem trabalha na coleta quanto quem varre vias públicas nessas condições.

Quando a insalubridade do gari chega a 40%?

O grau máximo está ligado ao contato permanente com lixo urbano e agentes biológicos, como microrganismos capazes de causar doenças. O Anexo 14 da Norma Regulamentadora nº 15 (NR 15), da Portaria nº 3.214/78 do Ministério do Trabalho, é a referência indicada para essa classificação. Em 30 de junho de 2025, o Pleno do TST fixou um entendimento obrigatório para casos semelhantes no Incidente de Recurso Repetitivo nº 0010287-72.2022.5.15.0013, julgamento usado para uniformizar processos sobre a mesma questão. A decisão igualou o tratamento dado à coleta e à varrição de vias públicas.

AtividadeComo o direito pode ser analisado
Coleta de lixo urbano no caminhãoO contato permanente com lixo urbano permite o reconhecimento do grau máximo.
Varrição de ruas e recolhimento de lixo urbanoO entendimento do TST também reconhece o grau máximo quando existe contato permanente.
Pintura de meio-fio ou capina sem contato com lixo urbanoO grau máximo não é automático. É preciso verificar as atividades realmente exercidas.
Recolhimento apenas de folhas secasPode não ser suficiente, especialmente quando não há contato com lixo urbano.
Lixo de condomínio ou ambiente controladoNão é possível concluir pelo grau máximo com base nas informações disponíveis.
Gari trabalhando na rua (foto ilustrativa)

Varro ruas e recolho lixo: tenho direito a 40%?

Sim, desde que a varrição envolva contato permanente com lixo urbano. Antes, algumas empresas tentavam separar o coletor que acompanha o caminhão do gari que usa vassoura e pá. O entendimento consolidado pelo TST afastou essa diferença para as atividades abrangidas. O nome anotado no crachá não é o ponto principal: devem ser observadas as tarefas feitas no dia a dia.

Guarde isto

Guarde contracheques, escalas, ordens de serviço e mensagens sobre as tarefas. Anote as rotas, os locais atendidos e como ocorre o contato com o lixo urbano durante a jornada.

Os 40% de insalubridade são calculados sobre qual valor?

O percentual de grau máximo é de 40%. O salário mínimo é apontado como base de cálculo, mas pode existir uma base específica para a categoria. Em um exemplo hipotético, se a base aplicável for de R$ 1.000, o adicional de 40% corresponderá a R$ 400. O adicional de 20% corresponderá a R$ 200, deixando uma diferença de R$ 200. O artigo 192 da CLT aparece entre as normas relacionadas ao adicional. A conferência deve considerar o contracheque e as regras aplicáveis à categoria do trabalhador.

  • Confira se o contracheque possui uma linha referente ao adicional de insalubridade.
  • Veja se o percentual informado é de 20% ou 40%.
  • Identifique qual valor foi usado como base para fazer o cálculo.
  • Compare os pagamentos dos diferentes meses trabalhados.
  • Peça à empresa uma descrição por escrito das suas funções e dos equipamentos fornecidos.

Luvas e botas podem retirar a insalubridade do gari?

Nas condições de coleta urbana descritas, o fornecimento de luvas e botas não afasta o adicional. Esses equipamentos não eliminam totalmente o risco biológico existente no contato com lixo urbano. Para uma visão mais ampla sobre adicionais, rescisão e outros direitos de quem trabalha, consulte a página de Direito Trabalhista do escritório.

Cuidado

Não assine uma declaração dizendo que nunca teve contato com lixo urbano se isso não corresponde à realidade. Leia o documento, peça uma cópia e registre por escrito qualquer informação incorreta sobre sua função ou sobre os equipamentos utilizados.

Dr. Jorge Lopes, advogado trabalhista

Quais provas mostram o contato permanente com lixo urbano?

A análise considera o trabalho efetivamente realizado, não apenas o cargo registrado. Rotas de coleta, escalas, ordens de serviço, imagens do ambiente, mensagens de supervisores e depoimentos de colegas podem ajudar a mostrar a rotina. Uma avaliação técnica também pode examinar as condições de trabalho. Quanto a motoristas, fiscais e trabalhadores de apoio, as informações disponíveis não esclarecem se o entendimento se estende automaticamente a essas funções nem se é necessária uma avaliação técnica individual.

  1. Descreva sua rotinaAnote as tarefas realizadas, as rotas atendidas e como ocorre o contato com o lixo durante a jornada.
  2. Compare função e realidadeVerifique se o cargo anotado corresponde ao trabalho feito. A atividade diária pode ser mais importante do que o nome da função.
  3. Confira os pagamentosIdentifique o percentual, a base de cálculo e o período em que o adicional foi pago.
  4. Registre mudançasAnote alterações de função, rota ou equipe que tenham modificado o contato com o lixo urbano.
  5. Calcule as possíveis diferençasCom os contracheques e a descrição da rotina, é possível avaliar se houve pagamento de 20% quando as condições indicavam 40%.

Recebo 20%: posso pedir a diferença para 40%?

Quem recebe grau médio, de 20%, mas trabalha permanentemente com lixo urbano pode discutir a diferença para o grau máximo, de 40%. Essa diferença pode alcançar parcelas dos últimos cinco anos, conforme a situação do contrato, mas o pagamento não é automático. As atividades, os recibos e as condições de trabalho precisam ser demonstrados. Em 30 de março de 2022, a Sexta Turma do TST já havia condenado empresas ao pagamento da diferença entre os graus médio e máximo para agentes de limpeza.

Perguntas frequentes

Tenho direito a 40% se varro ruas?

O entendimento do TST reconhece o grau máximo para a varrição de vias públicas quando há contato permanente com lixo urbano. A tarefa realmente executada é mais importante do que o nome registrado para o cargo.

Quanto dá 40% de insalubridade?

O valor depende da base usada no cálculo. Se a base hipotética for de R$ 1.000, 40% equivalem a R$ 400, mas a categoria pode ter uma base específica.

O que acontece se a empresa fornecer luvas e botas?

Nas condições de coleta urbana descritas, o fornecimento de luvas e botas não afasta o adicional. Isso ocorre porque esses equipamentos não eliminam totalmente o risco biológico.

Tenho direito a 40% se sou motorista do caminhão de lixo?

As informações disponíveis não esclarecem se o entendimento se estende automaticamente aos motoristas e fiscais que acompanham a equipe. Também não esclarecem se essas funções sempre dependem de avaliação técnica individual.

Por quanto tempo posso cobrar a diferença da insalubridade?

A diferença pode alcançar parcelas dos últimos cinco anos, conforme a situação do contrato. Os contracheques e os registros do período trabalhado ajudam a conferir os valores.

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OAB/RJ 159.842 · advogado desde 2007, 19 anos de advocacia trabalhista no Rio de Janeiro · articulista do Migalhas

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