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Exame toxicológico positivo pode dar justa causa?

Entenda quando pode haver justa causa, como a dependência química muda o caso e quais medidas o motorista pode tomar.

27 de setembro de 20267 min de leituraAtualizado por Dr. Jorge Lopes Bahia

Um exame toxicológico positivo exige avaliação clínica para investigar uma possível dependência química e não torna a demissão automática. Se a dependência for diagnosticada, o caso deve ser tratado como doença, com encaminhamento para tratamento e possível afastamento pelo INSS. A base deste texto reúne notícias e decisões de 2024 e 2025.

Exame toxicológico positivo dá justa causa?

Não existe uma resposta única para todos os casos. Em decisão de 11 de novembro de 2024, o Tribunal Superior do Trabalho manteve a justa causa de um motorista carreteiro que apresentou resultado positivo para cocaína. O entendimento foi que o exame positivo, sozinho, não comprova dependência química. A possibilidade de punição depende da avaliação clínica, das demais provas e das circunstâncias do caso.

Para entender o assunto por inteiro, veja a página principal sobre demissão por justa causa, que reúne os direitos, os prazos e o passo a passo para cobrar.

SituaçãoO que pode acontecer
Resultado positivo ainda sem diagnósticoO motorista deve passar por avaliação clínica para investigar dependência. A eventual justa causa depende das provas e das circunstâncias, não apenas da falta inicial de um diagnóstico.
Dependência química confirmada por avaliação clínicaA situação deve ser tratada como doença, com encaminhamento para tratamento e afastamento pelo INSS.
Uso considerado recreativoA justa causa pode ser mantida, conforme as circunstâncias e as provas do caso.
Motorista sob efeito da substância durante o expedienteA prova de uso em serviço torna mais forte a possibilidade de justa causa.
Recusa ao tratamento oferecidoA recusa pode ser considerada na análise e contribuir para a manutenção da justa causa.
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Tenho dependência química: como fica a demissão?

O laudo laboratorial mostra a presença de determinada substância, mas não identifica sozinho se existe dependência química. A Portaria MTE nº 612/2024 prevê avaliação clínica após o resultado positivo para verificar essa possibilidade. Se a dependência for diagnosticada, a empresa deve encaminhar o motorista para tratamento e afastamento pelo INSS, em vez de aplicar imediatamente a justa causa.

O exame positivo, por si só, não diagnostica dependência química, sendo necessária prova efetiva da doença.Síntese da decisão do Tribunal Superior do Trabalho de 11/11/2024
Guarde isto

Peça por escrito a avaliação do médico do trabalho. Guarde laudos, receitas, atestados, relatórios de tratamento e comprovantes de consultas. Esses documentos podem mostrar uma condição de saúde que não aparece apenas no resultado do laboratório.

Posso pedir contraprova do exame toxicológico?

Sim. O motorista tem direito de solicitar uma contraprova com a mesma amostra coletada. Faça o pedido por escrito e guarde o protocolo. As fontes não esclarecem qual é o prazo exato para apresentar um laudo de dependência química antes que a demissão seja efetivada. Para documentar o caso, reúna os seguintes documentos:

  • Cópia do resultado do exame e identificação do laboratório.
  • Comprovante da data, do local e das condições da coleta.
  • Pedido escrito de contraprova e respectivo protocolo.
  • Resultado da contraprova feita com a mesma amostra.
  • Relatório da avaliação clínica realizada pelo médico do trabalho.
  • Receitas e relatórios médicos sobre medicamentos ou tratamentos.
  • Comunicados da empresa sobre suspensão, afastamento ou demissão.
  • Termo de rescisão e documento que informa o motivo da justa causa.
Imagem ilustrativa do artigo sobre Posso ter dois empregos ao mesmo tempo? Horários e limites

O que acontece com minha habilitação após o resultado positivo?

O resultado positivo provoca a suspensão do direito de dirigir por três meses no RENACH, o Registro Nacional de Condutores Habilitados. Essa consequência administrativa pode ocorrer independentemente da demissão. Consulte a situação da habilitação nos canais do órgão de trânsito e guarde os comprovantes.

O que fazer após um exame toxicológico positivo?

  1. Peça a comunicação por escritoSolicite o resultado, o motivo de eventual afastamento e, se houver demissão, a descrição da conduta atribuída ao motorista.
  2. Solicite a contraprovaRegistre o pedido para que a mesma amostra seja novamente analisada.
  3. Passe por avaliação clínicaPeça que o médico avalie se existe dependência química e registre a conclusão em documento.
  4. Apresente documentos médicosEntregue receitas, atestados e relatórios de tratamento, mantendo cópia e comprovante de recebimento.
  5. Confira a situação da habilitaçãoConsulte o registro nos canais do órgão de trânsito e guarde comprovantes sobre a suspensão e a regularização.
  6. Organize os documentos da rescisãoSepare termo de rescisão, comunicado de justa causa, exames, contraprova e conversas com a empresa para permitir a análise completa do caso.

Quem paga o exame toxicológico e quem vê o resultado?

O exame exigido para fins trabalhistas, na admissão, durante o contrato ou no desligamento, deve ser pago integralmente pelo empregador. O resultado é informação médica protegida por sigilo. A empresa não deve divulgar o resultado positivo para colegas ou terceiros, e a exposição indevida pode justificar um pedido de reparação, conforme as provas do prejuízo.

Cuidado

Não deixe o pedido de contraprova apenas em conversa verbal e não descarte documentos médicos. Também não recuse avaliação ou tratamento sem registrar seus motivos, pois isso pode dificultar a demonstração de dependência química e a contestação da justa causa.

Perguntas frequentes

O que acontece se um remédio aparecer no exame toxicológico?

As fontes não apresentam um protocolo específico para medicamentos controlados que possam produzir resultado positivo. Apresente a receita, o relatório do médico e a embalagem do medicamento ao responsável pela avaliação clínica. Mantenha cópias e guarde o comprovante da entrega.

Posso trabalhar em outra função enquanto não posso dirigir?

O material de apoio não esclarece se existe direito à mudança temporária de função nessa situação. Peça à empresa uma resposta por escrito sobre a possibilidade de exercer outra atividade e guarde o documento.

Exame positivo comprova dependência química?

Não. O resultado mostra a presença da substância, mas não comprova sozinho a dependência química. A Portaria MTE nº 612/2024 prevê avaliação clínica para investigar essa possibilidade.

Quando posso voltar a dirigir após o exame toxicológico positivo?

As fontes informam a suspensão do direito de dirigir por três meses, mas não detalham todo o procedimento de regularização. Consulte a situação da habilitação nos canais do órgão de trânsito e guarde os comprovantes.

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OAB/RJ 159.842 · advogado desde 2007, 19 anos de advocacia trabalhista no Rio de Janeiro · articulista do Migalhas

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