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Pausa do digitador: 10 minutos são obrigatórios?

Entenda quem tem direito ao intervalo, como ele funciona e o que pode ser cobrado quando a empresa não concede a pausa.

27 de setembro de 20267 min de leituraAtualizado por Dr. Jorge Lopes Bahia

A pausa do digitador é de 10 minutos a cada 90 minutos trabalhados para quem exerce atividade permanente ou ininterrupta de digitação. Quando a empresa não concede o intervalo devido, esse período pode ser cobrado como hora extra.

Quem tem direito à pausa do digitador?

O artigo 72 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) assegura o intervalo para serviços de mecanografia. A Súmula 346 do Tribunal Superior do Trabalho (TST) estende essa proteção aos digitadores. Na prática, é necessário analisar se a entrada de dados é uma parte permanente ou ininterrupta do trabalho, e não apenas uma tarefa eventual.

Para entender o assunto por inteiro, veja o guia completo sobre horas extras e jornada, que reúne os direitos, os prazos e o passo a passo para cobrar.

SituaçãoComo a regra pode ser aplicada
Digitação permanente ou ininterruptaPode gerar o direito a 10 minutos de pausa a cada 90 minutos trabalhados.
Digitação apenas eventualO direito não é automático e depende da rotina efetivamente realizada.
Caixa bancário que intercala digitação e outras tarefasPode ter direito à pausa conforme o Tema 51 do TST, salvo restrição prevista na norma coletiva da categoria.
Trabalho em casa sem controle de jornadaO trabalhador tem o ônus de provar que não usufruiu as pausas.
Acidente de trabalho

A pausa do digitador vale para quem usa computador?

Não basta usar computador, teclado ou sistema durante parte do expediente. O ponto central é a frequência da digitação e a forma como ela ocupa a jornada. Não há um critério matemático unificado nas decisões abordadas que determine quantos minutos de digitação por hora caracterizam atividade permanente fora do setor bancário. Por isso, a rotina real precisa ser examinada.

Guarde isto

Faça uma organização inicial da sua rotina: anote os sistemas utilizados, o tempo aproximado de inserção de dados e as demais tarefas. Separe também relatórios, mensagens, escalas, controles de acesso e orientações da chefia para que o conjunto possa ser analisado.

Caixa bancário tem direito à pausa de 10 minutos?

Em 24 de fevereiro de 2025, o Pleno do TST fixou o Tema 51 de Recursos Repetitivos. Para caixas bancários, intercalar digitação, atendimento e outras tarefas não afasta o direito à pausa. Há, porém, uma ressalva: a norma coletiva da categoria pode exigir que a atividade de digitação seja exclusiva. Essa exigência de exclusividade não deve ser confundida automaticamente com a expressão “serviços permanentes”, cuja aplicação depende do texto da cláusula coletiva e da rotina realizada.

  • Consulte a convenção ou o acordo coletivo aplicável ao período trabalhado.
  • Verifique se a norma coletiva fala em atividade permanente ou exige digitação exclusiva.
  • Confira se o contrato, o regulamento interno ou o manual da empresa prevê pausas de digitação.
  • Compare os registros de ponto com os horários em que as pausas realmente aconteciam.
  • Organize comunicados sobre metas, atendimento contínuo e orientações para permanecer no posto.
  • Anote mudanças de função ou de sistema que tenham aumentado o tempo de digitação.
Acidente de trabalho

O que acontece se a empresa não der a pausa?

Quando o intervalo é devido e não foi concedido, o período pode ser pago como hora extra, com adicional de no mínimo 50%. Também podem existir reflexos no FGTS, nas férias e no 13º salário, ou seja, efeitos desse pagamento no cálculo dessas parcelas.

Cuidado

Não confirme uma pausa que não aconteceu. Se o sistema ou o ponto indicar intervalos automáticos, anote o que ocorreu naquele horário e organize as informações disponíveis para análise.

Como organizar informações sobre a pausa não concedida?

No trabalho presencial, registros de jornada e informações sobre a rotina podem ser reunidos para análise. No teletrabalho sem controle de horário, o trabalhador tem o ônus de provar que não usufruiu a pausa. Não há esclarecimento sobre como produzir essa prova de forma eficaz no trabalho remoto. A Norma Regulamentadora nº 17 (NR 17) trata de ergonomia e entrada de dados, mas cada caso depende da atividade realizada e das provas disponíveis.

  1. Descreva a rotinaAnote os horários, a sequência das tarefas e quanto tempo era gasto inserindo dados.
  2. Organize as informaçõesSepare espelhos de ponto, relatórios, mensagens, metas, escalas e registros dos sistemas utilizados para uma avaliação inicial.
  3. Peça a regra aplicávelSolicite à empresa a política de pausas e consulte a convenção ou o acordo coletivo da categoria.
  4. Confira os pagamentosObserve contracheques e o acerto da rescisão para verificar se há horas extras relacionadas às pausas não concedidas.
  5. Monte uma linha do tempoRegistre períodos de trabalho presencial, remoto, mudanças de função e alterações na frequência da digitação.

Perguntas frequentes

Tenho direito à pausa do digitador se faço outras tarefas?

Depende de como a digitação ocupa a sua jornada. Para caixas bancários, intercalar digitação com atendimento e outras tarefas não afasta o direito, salvo se a norma coletiva exigir exclusividade. Para outras funções, é necessário analisar se a digitação é permanente ou ininterrupta, e não apenas eventual.

Por quanto tempo preciso digitar para ter direito à pausa?

Não há um critério matemático unificado nas decisões abordadas que defina quantos minutos por hora caracterizam atividade permanente fora do setor bancário. A frequência da digitação e a rotina efetivamente realizada precisam ser analisadas.

Posso cobrar como hora extra a pausa que não tive?

Quando a pausa era devida e não foi concedida, o período pode ser cobrado como hora extra, com adicional de no mínimo 50%. O reconhecimento depende das atividades realizadas e das provas disponíveis.

Quais informações devo guardar sobre a falta da pausa?

Organize controles de ponto, relatórios, mensagens, metas, escalas, registros de acesso e orientações da chefia. Esses elementos servem como ponto de partida para analisar a rotina, mas a eficácia de cada prova depende do caso.

Tenho direito à pausa do digitador trabalhando em casa?

O trabalho em casa não elimina automaticamente a possibilidade da pausa. No teletrabalho sem controle de jornada, o trabalhador tem o ônus de provar que não usufruiu o intervalo, e não há um método único indicado para produzir essa prova.

Sua rotina de digitação pode ser analisada

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OAB/RJ 159.842 · advogado desde 2007, 19 anos de advocacia trabalhista no Rio de Janeiro · articulista do Migalhas

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