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Em resumo

A adesão ao plano de demissão voluntária só apaga direitos em situações específicas. Entenda quando isso acontece e o que ainda pode ser discutido.

22 de agosto de 20267 min de leituraAtualizado por Dr. Jorge Lopes Bahia

Quem pesquisa PDV hora extra normalmente está com uma proposta de desligamento na mão e uma dúvida só: assinar significa abrir mão de tudo? A resposta depende do que está escrito no documento. Se o plano nasceu de um acordo coletivo (negociação entre sindicato e empresa) com cláusula de quitação ampla e irrestrita, a adesão pode encerrar a discussão de parcelas do contrato, inclusive horas extras. Se não há essa previsão, o alcance da quitação é bem menor.

PDV hora extra: quando a adesão realmente apaga o direito

O ponto central é a origem do plano. O Supremo Tribunal Federal já decidiu, no RE 590415/SC, que o acordo que encerra o contrato pela participação voluntária do empregado em PDV pode gerar quitação ampla e irrestrita de todas as parcelas, desde que essa condição conste expressamente do acordo coletivo que aprovou o plano. Ou seja: não basta a empresa escrever isso num formulário próprio. A cláusula precisa estar na norma coletiva.

O guia completo sobre horas extras e jornada explica o tema do começo e lista os artigos relacionados.

Fora dessa situação, vale a lógica mais antiga e mais favorável a quem trabalha: a quitação alcança o que está expressamente escrito no recibo, não tudo o que existiu no contrato. É o que diz a Súmula 330 do TST (entendimento resumido e repetido pelo Tribunal Superior do Trabalho), que trata da quitação assinada com assistência do sindicato, com base no art. 477, parágrafo 2º, da CLT.

A quitação passada pelo empregado, com assistência de entidade sindical de sua categoria, ao empregador, com observância dos requisitos exigidos nos parágrafos do art. 477 da CLT, tem eficácia liberatória em relação às parcelas expressamente consignadas no recibo, salvo se oposta ressalva expressa e especificada ao valor dado à parcela ou parcelas impugnadas.Súmula 330 do TST
Pedido de demissao

O caso julgado pelo TST: ação de horas extras extinta depois do PDV

Em 21 de agosto de 2026, a Subseção I Especializada em Dissídios Individuais do TST (órgão interno do tribunal que uniformiza entendimentos) extinguiu o processo de um empregado da Novacap, em Brasília. Ele havia entrado com a ação em 2017 pedindo horas extras e os reflexos delas nas demais verbas. Em 2020, com o processo ainda em andamento, aderiu ao PDV da empresa, criado por norma coletiva que previa a quitação do contrato de trabalho.

A empresa levou essa adesão ao processo em 2025, como fato novo. O relator, ministro Hugo Scheuermann, aplicou o entendimento do STF sobre quitação ampla em PDV previsto em acordo coletivo. A decisão foi por maioria, com voto contrário do ministro Breno Medeiros. Segundo a notícia oficial do TST, o trabalhador foi intimado para falar sobre essa nova informação e não se manifestou. O processo é o RR-868-63.2017.5.10.0006.

Cuidado

Se você tem ação em andamento e recebe uma proposta de PDV, a adesão pode ser usada pela empresa dentro do processo. E, se o juízo pedir sua manifestação sobre isso, o silêncio pesa contra você. Nunca deixe uma intimação sem resposta.

Assinar com ressalva: o que isso muda no acerto

Ressalva é uma anotação escrita no termo de rescisão dizendo, de forma clara, com quais parcelas você não concorda ou o que não está sendo quitado. A própria Súmula 330 do TST reconhece que a quitação não vale para a parcela que foi objeto de ressalva expressa e especificada. Escrever "não concordo com nada" costuma ser inútil. O que ajuda é apontar o item: horas extras do período tal, adicional noturno, banco de horas, intervalo não concedido.

Guarde isto

Antes de assinar qualquer PDV, peça por escrito o regulamento do plano e o acordo coletivo que o criou. Guarde também o termo de rescisão, os holerites dos últimos anos, os cartões de ponto e o extrato do FGTS. Sem esses documentos, é muito mais difícil discutir qualquer coisa depois.

  • Regulamento do PDV, com o texto completo e as regras de adesão
  • Acordo coletivo ou convenção coletiva que aprovou o plano
  • Termo de rescisão do contrato de trabalho com os valores discriminados
  • Cartões de ponto, escalas e registros de jornada
  • Holerites, extrato do FGTS e comunicação da dispensa
Demitida gestante

Recebi a proposta de PDV: o que fazer na prática

  1. Peça o texto completoSolicite ao RH o regulamento do PDV e a norma coletiva que o autorizou. Leia se existe cláusula de quitação ampla e irrestrita e o que exatamente ela diz.
  2. Compare o que está sendo pagoConfira, item por item, se o termo de rescisão inclui aviso prévio, férias, décimo terceiro proporcional, FGTS e as horas extras que você entende devidas.
  3. Converse com o sindicatoO sindicato da sua categoria participou da negociação e pode informar o alcance da cláusula e como está sendo aplicada na empresa.
  4. Registre a ressalvaSe discorda de alguma parcela, escreva a ressalva de forma específica no termo, antes de assinar, e fique com uma cópia assinada.
  5. Não perca prazoPrazos trabalhistas existem e correm depois do fim do contrato. Se pretende discutir algo, organize os documentos e busque orientação sem deixar o tempo passar.

O que ainda pode ser discutido depois do PDV

SituaçãoO que tende a acontecer
PDV previsto em acordo coletivo, com cláusula expressa de quitação ampla e irrestritaA adesão pode encerrar a discussão de parcelas do contrato, inclusive horas extras, conforme o RE 590415/SC do STF
PDV criado só pela empresa, sem previsão de quitação ampla em norma coletivaA quitação tende a alcançar apenas as parcelas escritas no recibo, na linha da Súmula 330 do TST
Assinatura com ressalva expressa e especificadaAs parcelas ressalvadas podem continuar sendo discutidas
Ação já em andamento e adesão posterior ao planoA empresa pode apresentar a adesão no processo como fato novo, como ocorreu no caso julgado pelo TST

Outro ponto importante: o Tema 1046 do STF trata da validade de norma coletiva que limita ou restringe direito trabalhista não assegurado constitucionalmente. A negociação coletiva ganhou força, mas o próprio entendimento reconhece que existem direitos que não podem ser afastados por acordo. A discussão, portanto, não é automática nem igual para todo mundo: depende do texto do acordo, da parcela cobrada e da prova que você tem em mãos.

Perguntas frequentes

posso cobrar hora extra depois de aderir ao PDV?

Depende do que está escrito no plano e no acordo coletivo que o criou. Se existe cláusula expressa de quitação ampla e irrestrita, a discussão fica muito mais difícil, como mostrou a decisão do TST no caso da Novacap. Se não existe essa cláusula, a quitação em regra alcança só as parcelas escritas no recibo.

o que acontece se eu assinar o PDV com ressalva?

A ressalva é a anotação no termo de rescisão indicando com quais parcelas você não concorda. A Súmula 330 do TST reconhece que a quitação não vale para a parcela objeto de ressalva expressa e especificada. Por isso ela precisa apontar o item de forma clara, e você deve ficar com uma cópia assinada.

tenho direito a receber as verbas da rescisão mesmo aderindo ao plano?

O PDV é uma forma de encerrar o contrato, e o acerto deve vir discriminado no termo de rescisão. Confira item por item o que foi pago e o que a empresa deixou de pagar. Guardar o termo, os holerites e o extrato do FGTS é o que permite conferir depois.

quais documentos devo pedir antes de assinar o PDV?

Peça o regulamento do plano e o acordo coletivo que o aprovou, além do termo de rescisão com os valores detalhados. Junte também cartões de ponto, holerites e extrato do FGTS. Esses papéis mostram o alcance da quitação e sustentam qualquer discussão futura.

quando a empresa pode usar minha adesão ao PDV contra um processo em andamento?

No caso julgado pelo TST em agosto de 2026, a empresa apresentou a adesão como fato novo dentro do processo, anos depois. O tribunal analisou essa informação e extinguiu a ação sobre horas extras. Se você for intimado a falar sobre isso, responder é essencial.

o sindicato precisa participar do PDV?

Quando o plano nasce de acordo coletivo, a participação do sindicato está na origem da negociação. E, na quitação assinada com assistência sindical, valem os requisitos do art. 477, parágrafo 2º, da CLT. Consultar o sindicato ajuda a entender como a cláusula está sendo aplicada na sua empresa.

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Dr. Jorge Lopes BahiaOAB/RJ 159.842 · Advocacia trabalhista e previdenciária no Rio de Janeiro · artigos no Migalhas

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