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Cartão de benefícios flexíveis vira salário?

Entenda quando o uso amplo do cartão pode gerar reflexos no FGTS, nas férias, no 13º, no aviso prévio e nas horas extras.

20 de setembro de 20267 min de leituraAtualizado por Dr. Jorge Lopes Bahia

O cartão de benefícios flexíveis pode ser considerado parte do salário quando sua natureza e finalidade reais mostrarem que ele funcionava como pagamento pelo trabalho. No caso do auxílio-alimentação não pago em dinheiro, o artigo 457, § 2º, da CLT afasta a integração após a Reforma Trabalhista sem exigir inscrição no PAT, enquanto períodos anteriores precisam de análise própria.

Cartão de benefícios flexíveis pode virar salário?

O nome dado pela empresa não resolve a questão. Se o crédito permite pagar boletos, streaming, academia e outras despesas sem relação com a finalidade declarada, pode existir argumento para tratá-lo como parte da remuneração. O enquadramento depende da natureza e da finalidade reais da parcela, conforme os artigos 9º e 457 da CLT. O recolhimento ou a falta de recolhimento de encargos não determina essa natureza, pois os encargos são consequência do enquadramento jurídico. Para períodos posteriores à Reforma Trabalhista, a falta de inscrição no PAT, isoladamente, não transforma em salário o auxílio-alimentação que não é pago em dinheiro.

Situação encontradaO que pode indicar
Uso restrito a alimentação e refeiçãoPode reforçar a natureza de auxílio-alimentação, cuja utilização deve ser exclusiva para refeições e gêneros alimentícios
Pagamento de boletos e despesas variadasPode indicar pagamento de uso livre, mas a natureza e a finalidade reais da parcela precisam ser analisadas
Empresa não comprova inscrição no PATApós a Reforma Trabalhista, essa ausência isolada não afasta a exclusão prevista para o auxílio-alimentação não pago em dinheiro; períodos anteriores exigem análise própria
Categorias como educação e home officePodem não integrar a remuneração quando atendem às condições dos artigos 458, § 2º, II, e 75-D, parágrafo único, da CLT; o nome da carteira não comprova o enquadramento
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Como saber se o cartão faz parte do meu salário?

Confira como o cartão funcionava na prática. Veja se havia carteiras separadas, quais estabelecimentos aceitavam o saldo, se era possível transferir valores e como o crédito aparecia no contracheque. Também vale verificar o contrato de trabalho, os comunicados internos e as regras previstas em acordo ou convenção coletiva.

  • O nome do benefício no contracheque e no aplicativo
  • As categorias em que o saldo podia ser usado
  • A possibilidade de pagar boletos ou despesas pessoais
  • A existência de carteiras separadas para alimentação, saúde, cultura ou home office
  • O valor e a frequência dos créditos
  • A informação escrita da empresa sobre sua inscrição no PAT
  • As regras previstas em acordo ou convenção coletiva
Guarde isto

Baixe os extratos antes de perder o acesso ao aplicativo. Guarde também contracheques, regulamentos, mensagens do RH, telas com as categorias disponíveis e comprovantes de compras autorizadas pelo cartão.

Cartão no salário muda o acerto da rescisão?

Se o valor for reconhecido como salário, ele pode entrar na base de cálculo de FGTS, férias acrescidas de um terço, 13º salário, aviso prévio e horas extras. Isso é chamado de reflexo: o benefício passa a influenciar outras parcelas calculadas sobre a remuneração. O resultado depende do período discutido, dos valores pagos e das provas apresentadas.

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O que aconteceu com cartões parecidos na Justiça?

Este panorama abrange decisões proferidas em 2023 e no primeiro semestre de 2024. Em fevereiro de 2024, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região manteve a integração de um auxílio-alimentação flexível ao salário porque a empresa não observou as restrições de uso. Separadamente, o material apresenta o processo nº 1000845-66.2023.5.02.0011 como exemplo de decisão do TRT da 2ª Região sobre o tema, sem afirmar que seja o mesmo caso.

As reportagens mencionam, entre outras referências, o artigo 457, § 2º, da CLT, a Lei nº 14.442/2022 e as regras ligadas ao PAT. Para o trabalhador, o ponto prático é reunir documentos que mostrem a finalidade do crédito, as despesas permitidas e como a empresa tratava o valor.

Cuidado

Não descarte extratos nem confie apenas no nome mostrado no aplicativo. Também não altere telas ou comprovantes: documentos completos, com data e identificação do benefício, ajudam a demonstrar como o cartão realmente funcionava.

Quais provas guardar sobre o cartão de benefícios?

  1. Baixe o históricoSalve extratos mensais, saldos, categorias disponíveis e estabelecimentos nos quais o cartão era aceito.
  2. Separe os documentos do trabalhoReúna contrato, contracheques, termo de rescisão, comunicados internos e mensagens sobre o benefício.
  3. Peça informações por escritoSolicite ao RH o regulamento do cartão, a finalidade de cada carteira e a informação sobre eventual inscrição no PAT.
  4. Confira as regras da categoriaConsulte no sindicato se existe acordo ou convenção coletiva tratando de alimentação, home office, saúde, cultura ou educação.
  5. Compare os cálculosVerifique se o valor do cartão apareceu na base usada para FGTS, férias, 13º salário, aviso prévio e horas extras.
  6. Analise o conjuntoA liberdade de uso, a documentação da empresa e os registros dos créditos devem ser avaliados juntos. O material não define a frequência ou a uniformidade dos valores como critérios decisivos.

O saldo de auxílio-alimentação deve ser usado exclusivamente para pagar refeições e comprar gêneros alimentícios, conforme o artigo 2º da Lei nº 14.442/2022. Outros benefícios podem coexistir no mesmo cartão, mas precisam ser separados do auxílio-alimentação, e a simples previsão em convenção coletiva não afasta essa destinação legal. A mudança também não esclarece, por si só, como devem ser tratados os pagamentos anteriores. Se houve uso amplo durante o contrato, preserve o histórico antigo e compare as regras de cada período.

Perguntas frequentes

Posso questionar home office e educação pagos no mesmo cartão?

Esses valores não devem ser tratados automaticamente como auxílio-alimentação ou salário. A educação pode não integrar a remuneração quando atende às condições do artigo 458, § 2º, II, da CLT, e as utilidades do teletrabalho podem ficar fora da remuneração pelo artigo 75-D, parágrafo único. A simples denominação da carteira não comprova que esses requisitos foram cumpridos.

Tenho direito a aposentadoria maior se o cartão virar salário?

Se a parcela for juridicamente reconhecida como salário, podem decorrer desse enquadramento os respectivos encargos previdenciários. Isso pode influenciar o salário de contribuição do período, mas não garante, sozinho, um valor específico de aposentadoria.

O que acontece se a empresa limitar o cartão à alimentação?

A restrição pode adequar o auxílio-alimentação à destinação exclusiva para refeições e gêneros alimentícios prevista na Lei nº 14.442/2022. Outros benefícios podem coexistir no cartão, mas precisam ser distinguidos do saldo de alimentação. A mudança não esclarece sozinha como devem ser tratados os pagamentos anteriores.

Posso considerar cartão Caju, Flash ou Swile como salário?

A marca, por si só, não permite concluir que o cartão faz parte do salário. É preciso analisar as categorias disponíveis, as formas de uso, a natureza e a finalidade de cada crédito e os documentos da empresa.

Seu cartão funcionava como parte do salário?

Converse com o escritório para analisar os extratos, as regras do benefício e os possíveis reflexos no seu contrato.

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OAB/RJ 159.842 · advogado desde 2007, 19 anos de advocacia trabalhista no Rio de Janeiro · articulista do Migalhas

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