Fim da Escala 6×1: Câmara Aprova, Entenda o Que Muda

Em maio de 2026 a Câmara aprovou o fim da escala 6×1. Mas não é bem “semana de 4 dias” — entenda o texto real e quando ele pode valer para você.

📅 Julho/2026⏱ 8 min✍️ Lopes Bahia Advogados

Você já deve ter visto a notícia: “Câmara aprova fim da escala 6×1”. A repercussão foi enorme, e boa parte do debate público passou a chamar isso de “semana de 4 dias”. Só que não é exatamente isso — e entender a diferença importa muito para saber o que realmente vai (ou não) mudar na sua rotina de trabalho.

Em 27 e 28 de maio de 2026, o Plenário da Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos, por placares expressivos (472 a 22 no primeiro turno, 461 a 19 no segundo), o texto que acaba com a escala 6×1. Mas o modelo aprovado é de 40 horas semanais em 5 dias de trabalho (5×2), não 36 horas em 4 dias como propunha originalmente a PEC 8/2025, de autoria da deputada Erika Hilton. Este artigo separa o que já foi aprovado do que ainda é debate, e explica o que já é possível fazer hoje, mesmo sem a nova lei.

Calendário de trabalho mostrando transição da escala 6x1 para jornada reduzida
Câmara aprovou fim da escala 6×1 em 27-28 de maio de 2026

O Que Foi Realmente Aprovado na Câmara

O texto aprovado resulta da fusão entre a PEC 221/2019 (do deputado Reginaldo Lopes) e a PEC 8/2025 (de Erika Hilton), sob relatoria do deputado Léo Prates. A Comissão Especial aprovou o substitutivo por 34 votos a 4 em 27 de maio, e o Plenário confirmou nos dois turnos exigidos para emendas constitucionais logo em seguida. O modelo final:

O que mudaComo fica
Escala de trabalhoFim da 6×1; passa a ser 5 dias trabalhados, 2 de descanso remunerado
Jornada semanalRedução gradual até 40 horas (do teto constitucional atual de 44h)
Transição2 meses após promulgação: 42h/semana com 2 dias de descanso; 14 meses: 40h finais
SalárioVeda expressamente qualquer redução nominal ou proporcional
Outros direitosFGTS, férias e 13º mantidos integralmente
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Onde a mudança está agora: parada no Senado

Depois de aprovada na Câmara, a PEC seguiu para o Senado e está atualmente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), aguardando relator. Houve uma sessão temática de debate em 1º de julho de 2026, mas o recesso parlamentar começou em 17 de julho, e o período eleitoral (agosto a outubro) deve limitar deliberações no Congresso a temas não sensíveis. Segundo análise da SB&A Advocacia, a expectativa é de que a votação no Senado não ocorra antes de novembro de 2026 — o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, teria sinalizado que o tema não será votado antes das eleições.

⚠️ Atenção: Como é uma Emenda Constitucional, a PEC precisa ser aprovada em dois turnos também no Senado, com quórum de três quintos dos senadores em cada turno — processo mais lento do que uma lei ordinária. Enquanto isso não acontece, a escala 6×1 continua sendo legal no Brasil, respeitados os limites já existentes na CLT.

O PL 1.838/2026: o caminho mais rápido do governo

Paralelamente à PEC, o próprio Poder Executivo enviou ao Congresso o PL 1.838/2026, um projeto de lei ordinária (não uma emenda constitucional) que fixa 40 horas semanais como limite ordinário direto na CLT — hoje o texto celetista permite até 44h, dentro do teto constitucional. O projeto veda redução salarial, garante dois repousos semanais remunerados de 24h consecutivas, e tem cronograma de transição próprio: 42h no primeiro ano após publicação, 41h no segundo, 40h no terceiro. Por tramitar como lei ordinária com regime de urgência constitucional, pode avançar mais rápido que a PEC — inclusive travando a pauta da Câmara até ser votado.

Resultados do Piloto Brasileiro (2024-2025)

Enquanto a lei não sai, o modelo de jornada reduzida já foi testado de forma voluntária no Brasil. O programa 4 Day Week Brazil, rodado entre janeiro e junho de 2024 com cerca de 20 empresas (incluindo o Hospital Indianópolis, a Vockan e a Alimentare), aplicou o modelo “100-80-100”: 100% do salário, 80% do tempo de trabalho, mantendo 100% da produtividade esperada. Os resultados, divulgados pela FGV EAESP e pela Forbes Brasil:

IndicadorResultado do piloto
Percepção de aumento de produtividade71,5% dos participantes
Aumento de receita durante o piloto72% das empresas
Redução de estresse relatada62,7% dos participantes
Manutenção do modelo após o piloto46,2% das empresas, permanentemente

Um caso individual notável fora do piloto oficial: a empresa de tecnologia Vockan, com sede em São Paulo, adota o modelo 4×3 há 2 anos, hoje com 132 funcionários, relatando aumento de 32% na produtividade e crescimento de 86% no período, segundo o CEO Fabrício Oliveira.

💡 Dica Prática: Se você é empregador e quer testar jornada reduzida hoje, isso já é juridicamente possível: a CLT não proíbe compactar a jornada em 4 dias, desde que respeitado o teto de 44h semanais. A recomendação de especialistas é formalizar por acordo coletivo com o sindicato da categoria, e não apenas por acordo individual, para reduzir o risco de questionamento futuro.
Reunião de negociação coletiva sobre jornada de trabalho reduzida
Compactação da jornada em 4 dias já é legalmente possível via negociação coletiva

O que fazer diante da mudança na sua empresa

1. Acompanhe se sua empresa já opera com escala 6×1 e se há sinalização de adequação antecipada às novas regras — algumas empresas já negociam a mudança antes mesmo da aprovação final no Senado.

2. Fique atento a qualquer tentativa de compensar a redução de jornada com corte de salário — isso é expressamente vedado tanto na PEC quanto no PL 1.838/2026.

3. Se sua categoria já negocia jornada reduzida por convenção coletiva, verifique se os termos preservam integralmente seus direitos (FGTS, férias, 13º) antes de assinar qualquer aditivo contratual.

Perguntas Frequentes

A jornada de 4 dias já é lei no Brasil?

Não literalmente. Em 27 e 28 de maio de 2026, a Câmara aprovou em dois turnos (472×22 e 461×19) o fim da escala 6×1, mas o modelo aprovado é de 40 horas semanais em 5 dias, não 36 horas em 4 dias como propunha a PEC 8/2025 originalmente. O texto segue no Senado, na CCJ, aguardando relator, com votação improvável antes de novembro de 2026.

Qual a diferença entre a PEC 221/2019 e o PL 1.838/2026?

A PEC 221/2019, com o texto da PEC 8/2025 incorporado, altera a Constituição para reduzir a jornada máxima e acabar com a escala 6×1. Já o PL 1.838/2026, do Poder Executivo, fixa 40 horas semanais como limite na CLT, abaixo do teto constitucional de 44h, vedando redução salarial e garantindo dois repousos semanais remunerados de 24h consecutivas. Os dois tramitam simultaneamente.

O modelo de 4 dias por semana já é permitido hoje, mesmo sem essa lei?

Sim. A CLT não veda a compactação da jornada em 4 dias, desde que respeitado o teto constitucional de 44 horas semanais. Empresas como Vockan e Alimentare já adotam esse modelo voluntariamente no Brasil, com resultados positivos, mas por acordo individual ou coletivo, não por obrigação legal geral.

O piloto brasileiro da semana de 4 dias teve bons resultados?

Sim. No piloto 4 Day Week Brazil (jan a jun de 2024, com 20 empresas), 71,5% dos participantes perceberam aumento de produtividade e 72% das empresas registraram aumento de receita durante o teste. Após o período, 46,2% das empresas mantiveram o formato permanentemente.

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Lopes Bahia Advogados — OAB/RJ 159.842Conteúdo elaborado pela equipe de Direito do Trabalho do escritório, com acompanhamento da tramitação da PEC 221/2019 e do PL 1.838/2026 no Congresso Nacional. Última revisão: Julho/2026.